A restauração das obras artísticas do Caminho da Fé, localizado na Avenida Dendezeiros, na Cidade Baixa, demandou investimento de R$ 200 mil da Prefeitura de Salvador.
As intervenções foram necessárias após sucessivos atos de vandalismo que atingiram o corredor turístico e religioso inaugurado em 2020.
Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), cerca de um terço dos R$ 603 mil gastos com restauração de monumentos na capital baiana, no ano passado, foi destinado à recuperação das peças do Caminho da Fé.
Obras de Juarez Paraíso foram furtadas e danificadas
Das 28 obras produzidas pelo artista plástico Juarez Paraíso, com colaboração de outros 14 artistas, 22 precisaram ser refeitas e reinstaladas após serem arrancadas ou furtadas.
Além disso, os 14 totens de madeira e base de granito que sustentam as gravuras também sofreram danos.
Os equipamentos foram:
- arrancados;
- pichados;
- riscados;
- quebrados;
- utilizados como depósito de lixo.
As obras restauradas foram entregues em janeiro deste ano.
Fundação Gregório de Mattos quer tombar as obras
De acordo com a gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos, Roberta Santucci, o processo de restauração exigiu a reposição completa das estruturas.
“Apesar de fixadas com parafusos ocultos e protegidas por vidro, 22 peças foram furtadas, levando à reposição completa dos totens”, explicou.
Além disso, a fundação abriu o processo de tombamento das obras para ampliar a proteção do patrimônio artístico.
A próxima etapa será a elaboração de um dossiê para análise do Conselho de Patrimônio Cultural.
Juarez Paraíso lamenta atos de vandalismo
O artista Juarez Paraíso lamentou os atos de depredação sofridos pelas obras.
“Toda arte pública significa uma referência do bem cultural que a cidade tem e preza. Então, é necessário que haja uma preservação constante”, afirmou.
Segundo ele, os monumentos já haviam sido vandalizados anteriormente, logo após a inauguração do espaço.
Recuperação das peças ocorreu em duas etapas
O designer gráfico Washington Falcão, responsável pela reprodução e reinstalação das obras, explicou que a recuperação ocorreu em duas fases.
A primeira etapa envolveu limpeza e restauração dos totens de madeira. Já a segunda foi dedicada à reprodução das gravuras furtadas.
Além disso, foram adotadas novas medidas de segurança para tentar evitar futuros atos de vandalismo.
“Utilizamos bastante parafuso e uma base de inox para fixar as peças, para dar mais segurança”, destacou Washington.
Caminho da Fé liga Santa Dulce ao Bonfim
Com 1,1 quilômetro de extensão, o Caminho da Fé conecta o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Basílica Santuário Senhor do Bonfim.
O espaço foi entregue pela prefeitura em agosto de 2020 e recebeu diversas melhorias urbanas, como:
- iluminação em LED;
- drenagem;
- passeios ampliados;
- mobiliário urbano;
- fiação subterrânea;
- instalação de marcos religiosos.
Projeto reúne artistas baianos renomados
As esculturas dos totens foram produzidas pelo arquiteto Adriano Mascarenhas.
Já as obras de arte incorporadas às estruturas foram criadas por Juarez Paraíso em parceria com diversos artistas baianos, entre eles:
- Juraci Dórea;
- Bel Borba;
- J. Cunha;
- Chico Mazzoni.
Artista destaca importância cultural das obras
Aos 91 anos, Juarez Paraíso afirmou que o projeto foi desenvolvido com dedicação e forte significado religioso e cultural.
Segundo ele, cada totem reúne referências à história de Santa Dulce dos Pobres e à devoção ao Senhor do Bonfim.
Além disso, o artista destacou a importância da preservação do patrimônio cultural de Salvador.
“É preciso zelar pelo tesouro artístico que é de toda a população”, concluiu.
