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CBD para cólicas: estudo analisa dados de 25 mil usuárias

Pesquisa investiga absorventes com canabidiol (CBD) para aliviar cólicas menstruais e mostra redução da dor durante o uso do produto.

Há cerca de três anos, o Cannabis & Saúde mostrou os resultados de um dos primeiros ensaios clínicos a investigar absorventes internos com CBD para aliviar cólicas menstruais. Na ocasião, pesquisadores acompanharam 63 participantes durante três ciclos e encontraram redução significativa da dor em determinados dias da menstruação.

Agora, um novo trabalho amplia o número de pessoas e acrescenta outros dados a essa investigação. Depois de avaliar o produto nas condições controladas de um ensaio clínico, os pesquisadores passaram a investigar seu uso fora do ambiente experimental.

O estudo reúne dados de segurança de mais de 25 mil pessoas. Também apresenta as respostas de cerca de 2 mil usuárias que utilizaram o produto para reduzir as cólicas.

Na pesquisa, a dor média caiu de 6,35 para 3,78 pontos durante o uso do absorvente interno com CBD.

Do ensaio clínico ao uso no mundo real

Os dois trabalhos fazem parte de uma mesma linha de investigação, mas respondem a perguntas diferentes.

No estudo apresentado anteriormente no Cannabis & Saúde, os pesquisadores realizaram um ensaio randomizado e controlado por placebo.

Todas as participantes apresentavam dismenorreia primária, nome médico dado às cólicas que aparecem durante a menstruação sem que exista outra doença identificada como causa.

Naquele experimento, houve redução considerada estatisticamente relevante da dor desde o segundo dia do primeiro ciclo analisado.

Nesse estudo, menos de 5% das participantes relataram irritação relacionada ao produto.

O novo trabalho segue outro caminho. Ele reúne informações obtidas depois que o absorvente interno com canabidiol (CBD) começou a ser utilizado fora de condições controladas de pesquisa.

Dor caiu durante o uso do absorvente com CBD

Para avaliar a dor, as usuárias utilizaram a escala Mankoski, que vai de 0 a 10, para indicar a intensidade das cólicas. Nela, os valores mais altos representam dores mais intensas.

Antes do uso do produto, a pontuação média informada pelas usuárias era de 6,35.

Durante o uso do absorvente interno com CBD, a média caiu para 3,78.

Antes do uso, as notas 7 e 8 estavam entre as mais frequentes. Durante a utilização do produto, aumentou a proporção de pessoas que classificaram a dor em níveis mais baixos.

Os resultados reforçam a hipótese de que o CBD pode ter potencial para aliviar a cólica menstrual.

Mais da metade percebeu alívio em até 45 minutos

O estudo também investigou quanto tempo as usuárias levavam para perceber melhora das cólicas.

Entre as pessoas que utilizaram o produto para alívio da dor, 36% disseram perceber melhora em até 30 minutos.

Considerando um intervalo de até 45 minutos, a proporção chegou a 55,5%.

Ainda não se sabe quanto CBD é absorvido

Os resultados do estudo chamam a atenção principalmente porque o CBD está sendo administrado por uma via pouco explorada: a mucosa vaginal, o tecido que reveste o interior da vagina.

O absorvente interno absorve o fluxo menstrual ao mesmo tempo que mantém uma formulação contendo CBD em contato com a região.

Cada produto continha aproximadamente 30 mg de CBD no revestimento. Porém, ainda não se sabe quanto desse canabidiol realmente é absorvido pelo organismo.

Nenhum dos dois estudos realizou uma análise de como o canabinoide é absorvido, distribuído e eliminado pelo corpo.

Dados de mais de 25 mil usuárias ampliam avaliação de segurança

Outra diferença importante em relação ao estudo anterior é a quantidade de informações sobre segurança.

Os pesquisadores analisaram relatos relacionados ao uso comercial do produto no Reino Unido e em outros países europeus.

Entre mais de 25 mil usuárias, foram registradas 148 complicações ou reações, o equivalente a 0,58%.

Entre os registros estavam:

  • • 39 relatos de infecção;
  • • 24 de irritação ou desconforto;
  • • 17 sintomas neurológicos ou sistêmicos;
  • • 15 sintomas gastrointestinais;
  • • 15 de reação alérgica;
  • • 14 de dor ou cólicas;
  • • 6 de alterações menstruais;

A maior parte dos relatos foi considerada de baixa gravidade.

Ainda assim, 22 ocorrências foram classificadas como moderadas, incluindo cólicas intensas e suspeita de interação com outros medicamentos.

Estudo também avaliou risco de choque tóxico

O novo trabalho também analisou o risco de síndrome de choque tóxico.

Embora rara, essa é uma condição grave associada a toxinas produzidas por algumas bactérias, especialmente algumas variedades de Staphylococcus aureus.

O risco de síndrome de choque tóxico é uma das razões pelas quais os fabricantes estabelecem um tempo máximo recomendado para permanecer com um absorvente interno.

Após oito horas, período máximo recomendado de uso do absorvente com CBD, a toxina não foi detectada.

Os pesquisadores também prolongaram artificialmente o experimento até 24 horas. Nesse cenário, o produto com CBD apresentou uma concentração da toxina cerca de dez vezes menor do que o outro absorvente interno analisado.

O resultado serviu como uma avaliação da segurança microbiológica do produto, mas não demonstrou que ele previna a síndrome do choque tóxico.

Próximos passos da pesquisa

Atualmente, medicamentos anti-inflamatórios estão entre os tratamentos de primeira linha para a dismenorreia. Contraceptivos e outras terapias hormonais também podem ser utilizados em algumas situações. Porém, em muitos casos essas opções não funcionam ou provocam efeitos colaterais difíceis de lidar.

É nesse contexto que pesquisas sobre o uso de CBD para cólica menstrual ganham espaço. Os próprios pesquisadores defendem novos ensaios clínicos para comparar com as abordagens convencionais para a dismenorreia.

O absorvente interno utilizado no estudo está disponível no mercado britânico, onde as regras locais permitem o uso sem prescrição.

Fonte: Cannabis & Saúde
Image by magnific

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