Fórum Social Mundial também é debatido durante a sessão ordinária desta segunda-feira (15)
O Cemitério dos Africanos e a próxima edição do Fórum Social Mundial foram os temas da Tribuna Popular, da sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (15), no Plenário Cosme de Farias, na Câmara Municipal de Salvador.
Após um VT exibido sobre o Cemitério dos Africanos, encontrado no estacionamento da Pupileira, no centro da capital baiana, a arquiteta e urbanista Silvana Olivieri utilizou a Tribuna Popular representando a Organização da Sociedade Civil Programa Direito e Relações Raciais da Faculdade de Direito da Universidasde Federal da Bahia (Ufba) e da Articulação Institucional e Jurídica (Aganju). O local foi descoberto durante uma pesquisa de doutorado desenvolvida por ela.
O Cemitério dos Africanos, também conhecido como Cemitério do Campo da Pólvora, foi o primeiro cemitério público de Salvador. Funcionando por cerca de 150 anos até sua desativação em 1844, estima-se que abrigue os restos mortais de até 100.000 pessoas escravizadas e marginalizadas.
Segundo Silvana Olivieri, no cemitério eram enterrados africanos considerados pagãos, ou seja, não convertidos ao cristianismo, além de importantes líderes e participantes de revoltas históricas, como a Revolta dos Búzios e a Revolta dos Malês.
A arqueóloga e antropóloga Jeanne Dias também utilizou a Tribuna Popular. Ela coordenou as escavações históricas, no estacionamento do Complexo da Pupileira, que confirmaram a existência do Cemitério dos Africanos. Ela afirmou que “os resquícios da escravidão ainda continuam no presente”.
Alguns vereadores comentaram o tema. Dentre eles, a vereadora Marta Rodrigues (PT). “Trata-se do maior cemitério de africanos escravizados da América Latina”, disse a parlamentar do PT.
Já a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) afirmou que há uma grande dimensão histórica na revelação do Cemitério dos Africanos. “Podem contar com o apoio da bancada do PCdoB nesta Casa pela desapropriação do local para viabilizar a visitação a este sítio arqueológico”, frisou. O local foi reconhecido como sítio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (lPHAN).
Fonte: Ascom CMS
Foto: Victória Nasck
