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“Censo do IBGE vai expor realidade da população de rua agravada por anos de inércia”, diz Marta Rodrigues

Segundo a vereadora, a escolha de Salvador como projeto-piloto do censo nacional será uma oportunidade de reparação histórica e de construção de políticas públicas efetivas para crise social agravada por anos de descaso do poder público

A vereadora Marta Rodrigues afirmou nesta sexta-feira (12) que a realização do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua pelo IBGE, que começará na capital baiana, representa uma oportunidade histórica para Salvador enfrentar suas desigualdades sociais e conhecer a real dimensão de um problema que, segundo ela, há anos vem sendo tratado com números que não refletem a realidade observada diariamente nas ruas da cidade. O anúncio foi feito pelo instituto na última quarta (10).

Segundo a vereadora, o censo poderá esclarecer divergências existentes há anos entre os dados apresentados pelo poder público municipal e os levantamentos realizados por pesquisadores e entidades que atuam diretamente com a população em situação de rua.

“Esperamos que o IBGE apresente um retrato fiel da realidade e acabe com as distorções do poder público sobre essa realidade. Não se trata de disputar números, mas de reconhecer que a situação vivida nas ruas de Salvador é muito mais complexa do que aquilo que historicamente foi apresentado pelo município. Quem vive o Centro, a Cidade Baixa, os bairros populares e os principais corredores urbanos da cidade percebe isso todos os dias”, afirmou.

Marta Rodrigues lembra que, ao longo dos últimos anos, a Prefeitura de Salvador trabalhou com estimativas que giravam em torno de 5 mil a 6 mil pessoas em situação de rua. Entretanto, pesquisas independentes apontaram números superiores. Em 2017, um levantamento realizado pelo Projeto Axé, em parceria com a Ufba e outras instituições, estimou que a capital baiana poderia ter até 17 mil pessoas vivendo nas ruas. Já o mais recente Mapeamento, Contagem e Caracterização da População em Situação de Rua em Salvador, coordenado pelo Projeto Axé e divulgado em 2024, voltou a demonstrar a necessidade de um diagnóstico aprofundado sobre o tema.Não se pode apresentar números abaixo da realidade para se eximir da responsabilidade de produzir e executar políticas públicas voltadas ao enfrentamento do problema”, diz.

Marta Rodrigues chama atenção para a rede de atendimento destinada à população em situação de rua. Apesar de Salvador possuir uma população estimada em mais de 2,5 milhões de habitantes, a cidade conta atualmente com apenas quatro Centros POP, localizados no Dois de Julho, Mares, Sete Portas e Itapuã.

“São apenas quatro Centros POP para uma demanda espalhada por toda a cidade. O Centro Histórico sozinho concentra centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema. A estrutura existente não acompanha o crescimento do problema”, afirmou.

Segundo a vereadora, parte significativa dessa população convive com transtornos mentais e dependência química, especialmente relacionados ao uso de álcool, crack e outras drogas. Ela defende que a ampliação da rede de saúde mental também faça parte da discussão. Atualmente, Salvador possui três CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD) voltados ao atendimento especializado de pessoas com problemas decorrentes do uso abusivo de substâncias psicoativas.

“Salvador não pode continuar tratando uma das maiores questões sociais urbanas da sua história com estruturas claramente insuficientes. A discussão sobre população em situação de rua não pode ser separada das políticas de saúde mental, redução de danos, acolhimento e reinserção social. O censo do IBGE pode ser o primeiro passo para que Salvador finalmente enfrente essa realidade com base em dados concretos e não em estimativas que não correspondem ao que a cidade vê todos os dias”, disse.

Fonte / Foto: Ascom ver Marta Rodrigues – PT

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