Com 35 unidades previstas pelo Programa Bahia Sem Fome, iniciativa busca atender moradores em situação de vulnerabilidade; manutenção dos serviços e acompanhamento dos resultados são pontos importantes.
Para muitas famílias, garantir a alimentação diária representa um desafio que vai além das despesas domésticas. Desemprego, baixa renda e dificuldades financeiras fazem com que a chegada do fim do mês seja acompanhada de incertezas sobre o que colocar à mesa.
Em Salvador, cozinhas comunitárias e solidárias têm sido utilizadas como instrumentos de enfrentamento dessa realidade, oferecendo refeições gratuitas em diferentes comunidades e aproximando organizações sociais das pessoas que mais precisam de assistência.
Uma das principais iniciativas é o projeto Comida no Prato, integrante do Programa Bahia Sem Fome. A ação prevê 35 cozinhas comunitárias e solidárias na capital baiana, administradas por sete organizações da sociedade civil.
O investimento anunciado pelo Governo do Estado ultrapassa R$ 12 milhões, com recursos destinados à execução das atividades durante 12 meses.
As unidades foram distribuídas por diferentes territórios da cidade, buscando aproximar a oferta de alimentação das comunidades em situação de maior vulnerabilidade.
Bairros recebem iniciativas de alimentação solidária
Entre as organizações participantes está o Instituto Kemet, responsável pela gestão de cinco cozinhas em Salvador, localizadas no Santo Antônio Além do Carmo, Calabar, Itapuã, Fazenda Grande IV e região da Rótula do Abacaxi.
Outra iniciativa é desenvolvida pela Associação Vida Brasil, que recebeu investimento de R$ 1,716 milhão para administrar cinco unidades, incluindo pontos em Cajazeiras, Uruguai, Plataforma, Cassange e Ilha Amarela.
Segundo informações divulgadas pelo programa estadual, a iniciativa da Associação Vida Brasil tem previsão de atender aproximadamente mil pessoas e distribuir 156 mil refeições ao longo de 12 meses.
Mais do que distribuir refeições
As cozinhas comunitárias também podem funcionar como espaços de acolhimento e integração social.
A proposta do programa é associar a oferta de alimentos a outras ações, como capacitação profissional, orientação sobre direitos e fortalecimento das organizações que atuam nos bairros.
A aquisição de produtos da agricultura familiar também integra a estratégia, criando possibilidades de geração de renda para pequenos produtores.
Quem acompanha o funcionamento das cozinhas?
Embora os investimentos e as metas representem avanços, a população também precisa ter acesso a informações sobre o funcionamento efetivo das unidades.
Quantas cozinhas estão abertas atualmente? Quantas refeições são distribuídas por semana? Como os moradores podem ter acesso ao atendimento? E o que acontecerá quando terminar o período de financiamento?
Essas questões são importantes para avaliar se a política pública está alcançando os resultados esperados.
A segurança alimentar é um direito e exige ações permanentes. Em Salvador, o fortalecimento das cozinhas comunitárias pode representar uma importante contribuição para famílias que enfrentam dificuldades econômicas, desde que o atendimento tenha continuidade, qualidade e transparência.
Para quem enfrenta a insegurança alimentar, uma refeição garantida representa mais do que assistência: significa dignidade e a possibilidade de atravessar mais um dia com alimento na mesa.
Foto: Mateus Fernando/Saedes
