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Desfile une moda, ancestralidade e formação em Cachoeira

Coleção “Cabaça do Mundo – Manifesto” da Escola Àbámodá alia estética afro-indígena, cultura territorial e impacto social

Entre tambores, tecidos com estampas aturorais e frases de afirmação feminina, a Àbámodá – Escola Livre de Moda, Arte e Cultura da Bahia lançou na última quarta-feira (25), em Cachoeira, a primeira cápsula da coleção Cabaça do Mundo, intitulada Manifesto. O desfile, realizado na sede da escola, no centro histórico da cidade, marcou também a aula inaugural da nova turma de alunas que inicia a formação em 2026.

Com peças que transitam entre camisetas, vestidos, saias e calças, a coleção levou à passarela uma proposta estética que une referências afro-indígenas, reflexão política e valorização do feminino. As modelos desfilaram roupas com estampas autorais e frases que reafirmam o corpo da mulher como território de memória, criação e continuidade.

Concebida por Luísa Mahin, diretora da Àbámodá, e desenvolvida em conjunto com a direção criativa da escola, a coleção inaugura um ciclo conceitual que será trabalhado ao longo de todo o ano. Segundo ela, a proposta é transformar a moda em linguagem de posicionamento e consciência social. “É moda, mas também é reverência e proteção. Um chamado para reconhecer o sagrado feminino como potência criadora e enfrentar todas as formas de violência contra mulheres e meninas”, afirmou durante a apresentação.

Durante o evento, o público acompanhou de perto peças que traziam mensagens como “O mundo começa em nós” e “Da terra que me criou brotam meus mundos”, impressas sobre tecidos coloridos e símbolos com significado ancestral. As frases funcionam como manifesto visual e político, reforçando a proposta da coleção de colocar o feminino como origem da vida e centro do cuidado coletivo.

O conceito da coleção parte da cabaça, símbolo presente em diversas culturas afro-diaspóricas e originárias. Tradicionalmente utilizada para guardar água, sementes e alimentos, ela aparece como metáfora do “útero-mundo”, espaço simbólico de origem da vida. Nas estampas, a imagem da serpente também aparece como referência à sabedoria e à transformação — aquela que troca de pele sem perder sua essência.

Para as novas alunas da escola, o desfile representou mais do que uma apresentação de moda, foi também um gesto simbólico de abertura de caminhos e um reconhecimento de identidade. Entre aplausos, o público acompanhou um movimento que transforma roupa em discurso e tradição em linguagem contemporânea.

O lançamento inaugura um ciclo criativo que se estenderá ao longo de todo o ano. A cápsula Manifesto é a primeira de cinco coleções que serão apresentadas em 2026 dentro do tema Cabaça do Mundo, que orientará as atividades pedagógicas e criativas da escola.

Fundada com o objetivo de ampliar oportunidades para mulheres negras, a Àbámodá tem como proposta pedagógica articular formação criativa, empreendedorismo e valorização de saberes afro-indígenas, aproximando moda, território e impacto social.

A Àbámodá – Escola de Moda, Arte e Cultura é realizada por meio da Lei Rouanet – Incentivo à Cultura (Ministério da Cultura/Governo Federal), com patrocínio do Banco BV. Integra a Rede de Escolas Livres de Arte e Cultura do Ministério da Cultura. 

Fonte: Gi Santana Assessoria de Imprensa
Foto: Janderson Meneses

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