Conferência reuniu representantes da Fundação Paulo Cavalcanti, Projeto Marsúpio e lideranças comunitárias para discutir cidadania produtiva, identidade e fortalecimento dos negócios nas periferias
Empreender não apenas para gerar renda, mas também para fortalecer identidades, criar oportunidades e transformar os lugares onde se vive. Essa foi uma das principais reflexões da conferência “Empreender, Pertencer e Transformar: cidadania produtiva e desenvolvimento de territórios”, realizada nesta sexta-feira (18), durante a Expo Favela Innovation Bahia 2026, no Shopping Bela Vista, em Salvador.
Mediado por Cris Santos, diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti, o encontro contou com o educador e investidor social Jean Santos; a psicoterapeuta Alessandra Meira; e Andrea Ribeiro, empreendedora de Plataforma e participante do Projeto Marsúpio.
Ao representar a Fundação Paulo Cavalcanti, Cris Santos destacou a necessidade de valorizar os empreendedores, a economia criativa e os produtos que carregam a identidade dos próprios territórios. “A gente precisa de territórios fortes, com a valorização dos empreendedores, da nossa economia criativa. Mas, sobretudo, a gente precisa pertencer”, afirmou.
Cris também apresentou o Projeto Marsúpio, criado para acolher e capacitar pequenos empreendedores, inclusive aqueles que ainda não reconhecem a própria identidade empreendedora. Segundo ela, a proposta parte da inclusão produtiva e da cooperação como instrumentos para fortalecer pessoas, negócios e comunidades.
A dimensão humana desse processo foi abordada por Alessandra Meira, psicoterapeuta do Marsúpio. Para ela, oferecer conhecimento e ferramentas para o negócio não é suficiente quando barreiras pessoais impedem o empreendedor de enxergar as próprias possibilidades.
“Não adianta a gente ter um CNPJ se a gente não tem um CPF saudável. O desenvolvimento humano, o ser humano, vem antes de tudo que a gente faz”, afirmou. Alessandra destacou ainda que fortalecer a identidade ajuda cada pessoa a compreender seu lugar no mundo e avançar diante de oportunidades que antes pareciam inacessíveis.
A experiência ganhou dimensão concreta com o relato de Andrea Ribeiro. Moradora do Subúrbio Ferroviário, ela contou que começou a se profissionalizar na área de alimentação em 2019, inicialmente com um curso de confeitaria, seguindo depois para doces, salgados, tortas e panificação. Sua chegada ao Marsúpio ocorreu por meio da União de Mulheres Empreendedoras do Subúrbio (UMES).
Andrea definiu o projeto como um “divisor de águas” em sua trajetória. “Tiveram um olhar para nós, mulheres do Subúrbio. […] Levo o meu trabalho muito a sério, me dedico bastante, agrego valor ao meu trabalho”, relatou.
Durante o debate, Jean Santos relacionou empreendedorismo a ancestralidade, pertencimento e reconhecimento das potencialidades existentes nas comunidades. Para ele, os territórios periféricos precisam ser vistos para além das vulnerabilidades, como espaços onde existem sonhos, capacidades e possibilidades de transformação.
Presidente estadual da CUFA Bahia e vice-presidente da CUFA Brasil, Márcio Lima destacou o papel da Expo Favela na conexão entre empreendedores das periferias, startups e investidores. Ele também chamou atenção para a necessidade de superar a representação exclusivamente negativa das favelas e reconhecer sua força econômica e produtiva.
A conferência integrou a programação da Expo Favela Innovation Bahia 2026, realizada nos dias 18 e 19 de setembro, com palestras, debates, moda, cultura e atividades voltadas ao empreendedorismo e à geração de oportunidades nas periferias.
Fonte: Ana Geisa Lima | AGL Comunicação
Foto: Nelson Santiago
