Projeto do CAMA mobilizou 50 mulheres durante sete meses e lança audiovisual sobre racismo ambiental, vivências territoriais e protagonismo feminino.
Como o racismo ambiental se manifesta no cotidiano das mulheres negras? Quais são os principais desafios socioambientais enfrentados nos territórios onde vivem? E como suas experiências podem contribuir para a construção de caminhos de enfrentamento às desigualdades? Essas perguntas orientaram os sete meses de atividades do projeto Mulheres Negras por Justiça Climática, contra o Racismo Ambiental e pela Vida, que apresentou seus principais resultados em um encontro de apresentação de resultados realizado no dia 15 de outubro, em Salvador.
Realizado pelo Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), por meio do Observatório do Racismo Ambiental (ORA), o projeto mobilizou 50 mulheres negras de diferentes bairros da capital baiana, entre jovens, mulheres adultas, mulheres com mais de 50 anos. Do total de participantes, 50% são mulheres jovens, 32% têm mais de 50 anos e 18% são mulheres adultas.
Durante a apresentação dos resultados, Ana Carine Nascimento, coordenadora do projeto e pesquisadora do ORA, compartilhou dados de um diagnóstico construído a partir das percepções das participantes sobre seus territórios. O acúmulo de lixo foi apontado por 56% das mulheres, seguido pelas dificuldades de mobilidade (54%), pelo calor extremo (38%), pela poluição (34%) e pela falta de infraestrutura (30%). Além disso, 88% afirmaram querer aprender mais e contribuir para melhorar seus territórios.
“Construir justiça climática exige escutar as mulheres negras, reconhecer os conhecimentos que elas produzem a partir de seus territórios e compreender como as desigualdades ambientais atravessam suas vidas. Com esse projeto, queremos transformar essas experiências em narrativas, conhecimentos e ferramentas para fortalecer o Observatório do Racismo Ambiental”, afirma Ana Carine.
O diagnóstico reúne outros resultados sobre as vivências e perspectivas das participantes e será disponibilizado no site do CAMA (cama.org.br) no dia 30 de outubro.
Formação, vivências territoriais e produção audiovisual
Ao longo dos sete meses, as atividades formativas foram articuladas a experiências nos territórios, incluindo a trilha e a Rota das Pretas, que promoveram momentos de observação, troca e reconhecimento das histórias e dos desafios vivenciados pelas participantes.
Para Crispina Santos, a formação ampliou sua percepção sobre situações presentes em seu cotidiano. “Quando entrei no processo de formação e foi apresentado o racismo ambiental, isso me ligou um alerta. A gente vê falar de vários tipos de racismo, mas o racismo ambiental a gente convive todos os dias, só que, às vezes, não percebe.”
Como parte dos resultados, será lançado ainda em outubro o audiovisual Mulheres Negras por Justiça Climática, dirigido e roteirizado por Ana Carine Nascimento. A produção contextualiza e sistematiza as histórias, experiências e percepções das participantes, dando visibilidade às suas vozes e relacionando suas vivências às manifestações do racismo ambiental em Salvador.
“Esse audiovisual nasce da escuta e do encontro com mulheres que vivenciam os desafios de seus territórios, mas que também constroem resistência, soluções e outras possibilidades de futuro. Nosso compromisso é registrar suas experiências, reconhecendo essas mulheres como produtoras de conhecimento e protagonistas da luta por justiça climática”, destaca Ana Carine.
A iniciativa contribui para a construção de narrativas e de uma metodologia de trabalho para o Observatório do Racismo Ambiental, valorizando os saberes populares e as experiências das mulheres negras na compreensão e no enfrentamento das desigualdades socioambientais.
O projeto é realizado pelo Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), por meio do Observatório do Racismo Ambiental (ORA), com apoio da ONU Mulheres e de Luxembourg.
Sobre o CAMA
Fundado em 1996, em Salvador (BA), o Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) é uma OSC sem fins lucrativos cuja missão é fortalecer a garantia de direitos de indivíduos e grupos vulnerabilizados. A organização desenvolve projetos nas áreas de economia solidária, inclusão socioeconômica de catadores(as) de materiais recicláveis, educação ambiental, equidade de gênero e combate ao racismo ambiental.
Fonte: Ascom Ong CAMA
Foto: Divulgação
