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Teatro Vila Velha completa 62 anos modernizado e com essência preservada

Uma das características mais marcantes do Teatro Vila Velha, no Passeio Público, no Centro de Salvador, é a arquitetura da sala principal, onde o palco, em formato de arena, pode ser adaptado de acordo com a demanda de cada espetáculo. Esse é um dos traços mais marcantes do teatro, que completa 62 anos nesta sexta-feira (31).

Ciente disso, a Prefeitura buscou preservar a essência do Vila Velha na grande revitalização que está sendo realizada no edifício que abriga o teatro, inaugurado em 1964. A previsão é de que o espaço seja reaberto em agosto deste ano.

As intervenções são realizadas pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Secretaria de Manutenção (Seman) e Superintendência de Obras Públicas de Salvador (Sucop).

De forma geral, todas as características marcantes do teatro – e que tornam o Vila um equipamento único no Brasil – foram mantidas, requalificadas e modernizadas. O Café Cabaré dos Novos, por exemplo, local icônico de encontro entre artistas e o público em ações intimistas, recebeu nova iluminação e acústica. Agora, será possível fazer apresentações, como voz e violão, por exemplo, com muito mais qualidade.

A sala de ensaio Mário Gusmão está mais ampla, recebendo piso e forro novos. A área de oficina também foi requalificada, assim como o Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha, que salvaguarda mais de 1 milhão de documentos históricos, incluindo textos, fotografias e figurinos.

A requalificação também alcançou o gradil e os praticados de onde a plateia assistiu a espetáculos históricos, como Cabaré da Rrrrraça (1997), Um Tal de Dom Quixote (1998), Ó Paí, Ó (1992), Por que Hécuba (2014), A Tempestade (2019), entre outros sucessos. São tantas melhorias que as intervenções não são tratadas como uma “reforma” ou uma “revitalização”. O mais justo, realmente, é dizer que o Vila Velha está renascendo.

O projeto de modernização foi elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF). A presidente do órgão, Tânia Scofield, destacou que o arquiteto e urbanista alemão Carl Von Hauenschild, responsável pela versão original da casa de espetáculos, está participando da revitalização do espaço junto com os arquitetos Nivaldo Andrade e Alexandre Prisco.

“Temos um teatro de tradição e de extrema importância para a cidade. O que fizemos no projeto foi uma adequação às demandas contemporâneas, como garantir acessibilidade universal, equipamentos mais modernos e tecnologias mais avançadas para melhoria da acústica, da iluminação e dos outros elementos do teatro, preservando sua identidade e as características originais”, afirmou Tânia Scofield.

Agora, o Vila Velha terá elevadores e um plano atualizado contra incêndio, além de banheiro e camarim para Pessoas com Deficiência (PCD). Com as novas tecnologias de iluminação, climatização e acústica, foi necessária uma reforma em toda a rede elétrica do edifício histórico, com a montagem de uma subestação mais moderna.

A bilheteria foi transferida do subsolo para o térreo, o que vai facilitar o acesso do público, principalmente para quem tem deficiência de locomoção, e o prédio ganhou uma área administrativa moderna e equipada. O Passeio Público também está sendo recuperado, mantendo o desenho original.

O diretor do teatro, Márcio Meirelles, acompanhou o passo a passo de cada intervenção e comentou sobre a requalificação. “Esta semana nós celebramos 62 anos. E mesmo estando fora de casa, o Vila Velha continua presente no cenário nacional e internacional. Através de inúmeras ocupações, projetos e apresentações, nesses últimos anos, tanto no Brasil quanto em Portugal com a campanha O Vila Ocupa a Cidade. Em breve, e para nossa alegria, o Vila volta”, disse.

“Voltaremos com o nosso prédio requalificado pela Prefeitura de Salvador, de braços abertos, convidando a sociedade e os artistas a andarem juntos com a gente, com as suas propostas, ocupações, espetáculos, eventos e ações das mais diversas linguagens. Nesta nova era do teatro, que vive em constante mutação e em fluxo permanente de construção, a proposta é dar continuidade à jornada desse teatro independente, construído e mantido por artistas, sempre com nossa identidade política, cultural e artística”, completou Meirelles.

A última vez em que o Vila Velha passou por uma reforma foi em 1994. Naquela ocasião, quando completou 30 anos, o teatro passou por uma reforma, de fato. Existia, portanto, a necessidade de um projeto mais a fundo, que atualizasse o equipamento para o século XXI.

No dia em que anunciou a atual revitalização, Meirelles contou que a ideia da obra surgiu de maneira inusitada: foi durante uma reunião na Prefeitura para discutir a criação de um cinema. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, visitou o teatro, viu de perto os problemas do equipamento e optou por fazer uma requalificação completa.

Referência – O Teatro Vila Velha foi criado em 1964, entre julho e outubro daquele ano, tendo como marco de sua fundação o dia 31 de julho. O Brasil vivia o começo da ditadura militar quando um grupo de alunos dissidentes da Escola de Teatro da Ufba, liderados pelo professor João Augusto, decidiram abrir o espaço. No local, se discutiam e praticavam ideias que contrariavam a época.

Logo, o espaço se tornaria um símbolo da contracultura, do tropicalismo e da contestação que marcaram a cena cultural brasileira nos anos de chumbo, tornando-se um pedaço importante da história de Salvador. Os artistas baianos da Tropicália tiveram papel preponderante na formação do teatro, sendo o show “Nós, Por Exemplo…” um momento marcante dos primeiros anos do equipamento. Participaram da apresentação Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé.

Nos 60 anos seguintes, o teatro se transformou em referência para muitos artistas. Passaram pelo palco atores como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Virgínia Rodrigues e Othon Bastos, além de coletivos como Novos Baianos, Bando de Teatro Olodum, Viladança, Cia. de Teatro Novos Novos e VilaVox.

Fonte: Secom PMS
Imagem: Divulgação

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