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Ultraprocessados representam cerca de 30% das calorias consumidas por crianças de 2 a 5 anos

Pesquisa nacional alerta para a presença de produtos industrializados na primeira infância; especialistas recomendam ampliar a oferta de alimentos naturais e criar hábitos saudáveis desde cedo.

A presença de alimentos ultraprocessados na alimentação infantil é um desafio para a saúde pública brasileira. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) indicam que esses produtos representam 30,4% das calorias consumidas diariamente por crianças de 2 a 5 anos. Entre todas as crianças brasileiras com menos de cinco anos, a participação chega a 24,7%.

O levantamento foi realizado com 14.505 crianças em 123 municípios e no Distrito Federal, com coleta de dados entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Embora os números não representem um retrato atualizado de 2026, eles ajudam a dimensionar a presença desses produtos na alimentação durante uma fase importante do desenvolvimento infantil.

Entre os itens ultraprocessados consumidos pelas crianças estão biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, bebidas açucaradas, macarrão instantâneo, embutidos e produtos industrializados com excesso de açúcar, sódio ou gordura. A oferta frequente desses alimentos pode comprometer a qualidade nutricional da dieta e favorecer hábitos alimentares pouco saudáveis.

Formação dos hábitos começa na infância

O Ministério da Saúde recomenda que a alimentação infantil priorize alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, ovos e preparações caseiras. Para crianças menores de dois anos, a orientação oficial é não oferecer açúcar nem alimentos ultraprocessados.

A introdução alimentar deve começar aos seis meses, mantendo o aleitamento materno até dois anos ou mais, quando possível. A recomendação é oferecer variedade de alimentos saudáveis, respeitando os sinais de fome e saciedade da criança.

Outro aspecto importante é o ambiente das refeições. Comer junto com a família, reduzir distrações como celulares e televisão e envolver a criança, de forma adequada à idade, no contato com frutas e outros alimentos pode contribuir para experiências alimentares positivas.

Publicidade e praticidade influenciam escolhas

A rotina das famílias, o preço dos alimentos, a facilidade de preparo e a publicidade dirigida ao público infantil podem influenciar as escolhas de consumo. Produtos com embalagens coloridas, personagens e apelos comerciais também podem ser percebidos como opções adequadas, mesmo quando apresentam excesso de açúcar, sódio ou gordura.

Um estudo divulgado pelo UNICEF em março de 2026 identificou dificuldades na compreensão dos rótulos nutricionais em comunidades urbanas pesquisadas no Brasil. O levantamento também mostrou que produtos ultraprocessados podem ser associados à ideia de recompensa e bem-estar infantil.

Para melhorar a alimentação das crianças, a orientação é planejar lanches com frutas, oferecer água em vez de bebidas açucaradas e priorizar refeições preparadas com ingredientes básicos. A mudança não depende apenas das famílias: escolas, políticas públicas e ações de educação alimentar também têm papel importante na construção de ambientes mais saudáveis.

Foto: Pexels / Cottonbro Studio

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