Com o tema “Bahia é democracia. E na democracia não cabe transfobia”, mobilização acontece em 5 de setembro, no Porto da Barra, e integra a Semana da Diversidade Trans
A 7ª Marcha Trans da Bahia (@marchatransbahia) acontece no dia 5 de setembro, com concentração a partir das 14h, no Porto da Barra, em Salvador (BA), reunindo a população trans, lideranças, movimentos sociais e sociedade civil em uma mobilização pelo direito à cidadania, à participação política e à construção de uma democracia que alcance efetivamente as pessoas trans. Neste ano, a Marcha traz como tema “Bahia é democracia. E na democracia não cabe transfobia”.
Organizada pela Associação Baiana de Travestis, Transexuais e Transgêneros em Ação (Atração), a programação deste ano reúne nomes como Bruna Benevides, reconhecida internacionalmente por seu trabalho na luta pelos direitos humanos, e Gab Van, ativista e articulador político-social. Também participam representantes da Atração, Keila Simpson, primeira travesti nomeada doutora honoris causa no Brasil e Diego Nascimento, Conselheiro LGBT do Estado da Bahia e Diretor do Fórum Nacional de Articulação das Marchas Trans.
Na programação artística, o evento contará com a participação de Puma Camillê (@capoeiratravesti), que vai levar a roda de capoeira vogue para a Marcha. Artista travesti negra, capoeirista e performer multidisciplinar, Camillê desenvolve pesquisa autoral no campo da dança contemporânea a partir da articulação entre matrizes afro-brasileiras, cultura ballroom e práticas performativas dissidentes. A marcha contará ainda com a participação das artistas Manu Ella e Elora.
A mobilização parte de uma realidade em que pessoas trans ainda estão afastadas dos espaços institucionais de poder e tomada de decisão e, ao mesmo tempo, permanecem desproporcionalmente expostas à violência e à negação de direitos. A Marcha reivindica a ampliação da presença e do protagonismo trans em espaços onde são construídas as decisões públicas, dos mandatos e assessorias às instituições e carreiras do Estado, além de cobrar de quem já ocupa esses lugares o compromisso com políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades que atingem essa população.
Marcha leva reivindicações às ruas
A Marcha Trans da Bahia se consolidou como um dos principais espaços de reivindicação política da população trans no estado. O evento reuniu cerca de 6.000 pessoas ao longo de suas últimas edições e continua em expansão. Além de promover encontro, sociabilidade, visibilidade e produção cultural, a mobilização transforma demandas relacionadas a trabalho, saúde, educação, segurança, cidadania e acesso às instituições em uma agenda coletiva apresentada à sociedade e ao poder público.
A atuação do movimento também tem contribuído para avanços concretos. Entre eles está a reserva de vagas de estágio para pessoas trans no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia, após reivindicações relacionadas ao acesso ao trabalho, e avanços na área da saúde, como a habilitação do ambulatório trans e o início, na Bahia, da realização de cirurgias vinculadas ao Processo Transexualizador do SUS.
Para a organização, essas conquistas demonstram que a Marcha não se encerra no momento em que a manifestação termina. As reivindicações apresentadas nas ruas seguem sendo trabalhadas por organizações e lideranças trans em processos de diálogo, mobilização e incidência junto às instituições, com o objetivo de transformar demandas em políticas públicas, serviços e respostas concretas.
Programação Paralela: Semana da Diversidade Trans
A programação da Marcha integra a Semana da Diversidade Trans, que começa no dia 3 de setembro com o I Encontro Nacional de Lideranças Transmasculinas na Bahia, realizado das 13h às 17h, no Casarão da Diversidade. A atividade é uma realização da Atração em parceria com a Liga Transmasculina João W. Nery e terá como tema “Transmasculinidades discutindo política: conjuntura, democracia e construção de poder no Brasil”.
O encontro reunirá lideranças transmasculinas de diferentes estados e regiões do país para uma agenda de formação política, análise de conjuntura e articulação. Entre os temas estão democracia, soberania, representação, participação política, instituições, recursos, proteção de lideranças e construção de poder. A proposta é discutir caminhos para transformar visibilidade em organização, programa político, representação e capacidade permanente de influenciar decisões.
No dia 4 de setembro, às 13h, também no Casarão da Diversidade, acontece o 2º Seminário TransarticulAÇÃO — Seminário Estadual de Diálogo, Formação e Articulação do Movimento Trans da Bahia, realizado pela Atração em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Com o tema “Democracia para quem? Protagonismo trans no poder e na disputa pelos rumos das políticas públicas na Bahia”, o seminário vai reunir lideranças, ativistas, gestores públicos e outros atores envolvidos na construção de direitos para a população trans.
A programação preparatória segue no dia 5 de setembro, às 9h, com a Oficina de Cartazes para a Marcha Trans da Bahia, também no Casarão da Diversidade. A atividade será um momento de criação coletiva de cartazes, mensagens e palavras de ordem que serão levados às ruas durante a manifestação.
A iniciativa conta com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos, através do Fundo de Mobilização e Articulação, e apoio da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura Municipal de Salvador, através do Edital Culturas Populares: Festas e Mestres.
Programação da 7ª Marcha Trans da Bahia:
14h — Concentração no Porto da Barra
15h — Show de abertura com Manu Ella
15h30 — Falas institucionais da Atração, com participação de Keila Simpson e Diego Nascimento
16h — Falas de lideranças políticas do movimento trans, com participação de Bruna Benevides e Gab Van
16h30 — Intervenção musical com Manu Ella
17h — Cerimônia de entrega das faixas dos padrinhos, Thiffany Odara e Gab Van
17h30 — Saída para o percurso até o Farol, com show de Elora
17h50 — Microfone no Chão
18h20 — Apresentação de Capoeira Vogue, com participação de Puma Camillê
19h — Encerramento
SERVIÇO:
7ª Marcha Trans da Bahia
Tema: Bahia é democracia. E na democracia não cabe transfobia
Data: 5 de setembro de 2026
Horário: A partir das 14h
Local: Porto da Barra, Salvador – BA
Entrada: Gratuita
Semana da Diversidade Trans
3/9, às 13h: I Encontro Nacional de Lideranças Transmasculinas na Bahia — Casarão da Diversidade
4/9, às 13h: 2º Seminário TransarticulAÇÃO — Casarão da Diversidade
5/9, às 9h: Oficina de Cartazes para a Marcha Trans da Bahia — Casarão da Diversidade
5/9, às 14h: 7ª Marcha Trans da Bahia — Porto da Barra
A 7ª Marcha Trans da Bahia é realizada pela Atração (@atracao_ba).
Rede social: @marchatransbahia
SOBRE: Keila Simpson é uma travesti negra, maranhense de Pedreiras e radicada há mais de três décadas em Salvador. Reconhecida como uma das principais lideranças do movimento trans brasileiro, iniciou sua militância no começo da década de 1990, no contexto da epidemia de HIV/Aids, atuando na prevenção, no acolhimento e na organização política de travestis e mulheres trans. Sua trajetória contribuiu para transformar demandas relacionadas à sobrevivência, à saúde e ao reconhecimento da identidade em uma agenda nacional de direitos humanos e políticas públicas.
Em 2013 ela recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, outorgado pela Presidente Dilma Rousseff em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade LGBTQIA+ no Brasil. Em 2023, um novo reconhecimento nacional: Keila Simpson recebeu título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tornando-se a primeira pessoa trans do Brasil a ostentar esse título. Sua relevância também foi reconhecida em Salvador, quando em 2024 ela recebeu da Câmara Municipal o título de cidadã soteropolitana
Na Bahia, Keila coordena atualmente o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT – CPDD/LGBT, equipamento público do Governo do Estado voltado à população LGBT. Keila é Fundadora e atual Diretora Geral da Associação Baiana de Travestis, Transexuais e Transgêneros em Ação (Atração), organização a partir da qual idealizou e iniciou a realização da Marcha Trans da Bahia, que se consolidou sob sua articulação como uma das principais manifestações da população trans no país.
SOBRE: Diego Nascimento é um ativista político e produtor cultural de Salvador, com atuação centrada na Promoção e Defesa de direitos da população LGBTQIA+. Homem trans, negro e bissexual, iniciou sua trajetória aos 15 anos, quando fundou junto a outros ativistas em Salvador o Coletivo Cultural De Transs Pra Frente.
Ainda em 2017, sua atuação já era reconhecida tendo sido premiado como destaque no ativismo LGBTQIA+ pelo tradicional Caruru da Diversidade realizado pelo Grupo Gay das Residências. Com o passar dos anos, Diego passou a ocupar cada vez mais espaço no cenário do movimento LGBTQIA+ baiano. Foi Conselheiro Municipal de Juventude e atuou como agente da ONU para a pauta LGBT em Salvador.
Desde de 2020, é Diretor da Associação Baiana de Travestis, Transexuais e Transgêneros em Ação, onde foi responsável pela reformulação da Marcha Trans da Bahia a partir da sua 3ª edição, da qual hoje é Coordenador Político e Produtor e pela criação da Escola de Formação para o Ativismo Dra. Keila Simpson. Além desses espaços, atualmente também é Conselheiro LGBT do Estado da Bahia e Diretor do Fórum Nacional de Articulação das Marchas Trans – FONAMTRA, uma iniciativa voltada à construção de uma agenda permanente e integrada entre mobilizações realizadas em diferentes estados.
Fonte: Gi Santana – Assessoria de Imprensa
Foto: Adeloyá Ojú Bará
