Enquanto grandes empresas reduzem sua presença física, levantamento de Luciana Buck aponta 75.746 fechamentos de empresas no estado somente no primeiro semestre
Primeiro foram as Casas Bahia, com o fechamento de lojas. Agora, o Bradesco chama atenção com outro movimento: 324 agências encerradas e 2.448 postos de trabalho reduzidos no país nos 12 meses encerrados em junho de 2026.
Na Bahia, o alerta ganha outra dimensão. Levantamento da palestrante e gestora Luciana Buck, a partir de dados da Receita Federal, aponta que 75.746 empresas fecharam as portas no estado somente no primeiro semestre de 2026.
A Bahia tem 14,87 milhões de habitantes e 1.263.101 empresas ativas nos 417 municípios. A média é de 11,77 habitantes por empresa, indicador que, na avaliação de Luciana, mostra o perfil empreendedor do estado.
A relação, no entanto, varia bastante de um município para outro.
Em 2025, 132.197 empresas fecharam na Bahia, o equivalente a 10% do total de empresas ativas. Nos seis primeiros meses de 2026, já foram 75.746 fechamentos, ou 6% da base atual. Segundo a análise de Luciana, isso representa um aumento de 15% na velocidade de fechamento de empresas em relação a 2025.
Os municípios mais e menos empreendedores
Considerando a relação entre população e número de empresas, Pedro Alexandre apresenta o maior número de habitantes por empresa: 55,78. Depois aparecem Ipecaetá (48,67) e Sítio do Mato (46,15).
No outro extremo está Lauro de Freitas, com 5,35 habitantes por empresa, seguido por Luís Eduardo Magalhães (5,58) e Porto Seguro (7,27).
Salvador aparece na sexta posição, com 7,63 habitantes por empresa.
Outro recorte do levantamento mostra quais municípios tiveram os maiores percentuais de fechamento em 2025.
Piripá lidera, com 75%, seguido por Itapitanga (63%), Caetanos (24%) e Caculé (22%).
Os quatro municípios, que já registraram taxas elevadas de fechamento, começam 2026 com crescimento de 5% na velocidade de fechamento, segundo o levantamento.
Na outra ponta, Itaguaçu da Bahia e Novo Horizonte registraram 2% de fechamento em 2025. Depois aparecem Abaíra (3%) e Antônio Cardoso (4%), municípios apontados na análise como mais resilientes diante da crise.
Para Luciana, os números precisam ser vistos também pelo impacto sobre renda e emprego.
“A cada empresa fechada, para além de um sócio que perde capital e renda, temos os funcionários que perdem o emprego e a renda. Proteger as empresas para que tenham resultado, gerem emprego e prosperidade pras suas regiões é imperioso para melhorar a condição de vida de cada baiano”, afirma.
Menos burocracia e mais estrutura
A partir desse diagnóstico, Luciana defende uma agenda de desburocratização e fortalecimento do ambiente de negócios.
A proposta passa por quatro frentes: desburocratização, capacitação técnica e de gestão, desenvolvimento de mercado e investimento em infraestrutura.
Na avaliação dela, quem empreende precisa de menos obstáculos para abrir e manter uma empresa, mas também de conhecimento para produzir, vender e crescer. No caso da agricultura familiar, ela aponta ainda problemas de capacitação e infraestrutura.
“Não tem resultado sem risco”, resume.
Para Luciana, a crise tem duas causas centrais: o endividamento público elevado, associado às altas taxas de juros no Brasil, e o baixo investimento em infraestrutura, especialmente no escoamento da produção baiana.
“É preciso reduzir privilégios, cortar gastos desnecessários e gerar recursos para o estado investir em infraestrutura. O Brasil tem jeito, a Bahia tem solução, mas é preciso mudar para encontrar o melhor caminho”, afirma.
Capacitação na prática
A agenda de Luciana também inclui ações de capacitação.
No sábado, 22, ela comandou a oficina “Produzir, Vender e Crescer: Empreendedorismo Aplicado à Agricultura Familiar”, na sede da Associação dos Pequenos Agricultores de Vila Morena e Canabrava, em Esplanada.
Ao lado do professor Anderson Freitas, trabalhou com agricultores familiares temas como precificação, gestão financeira e comercialização.
“A gente vê, na prática, o esforço diário de quem produz. Meu papel aqui é entregar ferramentas simples que ajudem a transformar esse esforço em renda de verdade para a família”, afirma.
“Produzir é importante. Vender é necessário. Mas crescer exige conhecimento, planejamento e gestão.”
Sobre Luciana Buck
Formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, com mestrado em Administração Estratégica pela Universidade Salvador e formação complementar em estratégia de negócios pela CUOA Business School, na Itália, Luciana Buck é professora universitária, mentora de negócios e sócia de empresas nas áreas de arquitetura, reformas e administração patrimonial.
Foi diretora de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Salvador e é candidata a deputada federal pela Bahia pelo Partido Novo.
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