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Atletas PCD mostram como a corrida pode promover inclusão na Maratona Salvador

Para alguns corredores, cruzar a linha de chegada representa mais do que completar uma prova. É também superar barreiras que começam muito antes do sinal de largada. Na Maratona Salvador, que acontece nos dias 26 e 27 de setembro, no Centro de Convenções Salvador, na orla da Boca do Rio, atletas com deficiência estarão entre os milhares de participantes que vão percorrer distâncias de 5 km, 10 km, 21 km e 42 km, além dos desafios de 5 km + 21 km e 10 km + 42 km.

O coordenador da prova e diretor da MP3 Marketing, Douglas Cerqueira, afirma que, em 2026, a competição já soma 66 PCD inscritos, e as vagas permanecem abertas até o dia 20 de setembro, ou enquanto houver vagas disponíveis por meio do site https://www.ticketsports.com.br/e/maratona-salvador-2026-74554. O evento acontece com apoio da Prefeitura de Salvador, através da Empresa Salvador Turismo (Saltur).

“Provavelmente vamos superar o número de PCD de 2025. Percebo que esse crescimento tem relação com dois pontos: primeiro, que todo atleta PCD, mediante a apresentação da documentação, tem 50% de desconto, e isso é um estímulo. O segundo ponto é a vinda de profissionais do Comitê Paralímpico Brasileiro, que fazem uma classificação dos PCD de forma justa e isonômica na sua categoria. A partir dessa classificação e da própria competição, os corredores adquirem índices para competir no Brasil e até no mundo.”

A organização da Maratona Salvador criou há cerca de três anos um método próprio de classificação para ampliar a participação de atletas com diferentes tipos de deficiência, incluindo cadeirantes, amputados, deficientes intelectuais e com deficiência visual.

Até o momento, estão inscritos 11 atletas para 5 km, sete para 10 km, 23 para 21 km, 15 para 42 km, outros sete para o desafio 5 km + 21 km e três para o desafio 10 km + 42 km.

Entre os atletas PCD está a guardadora de carros da Zona Azul Angelina Nascimento, de 60 anos, atleta cadeirante que participou de todas as edições do evento, desde quando a prova ainda acontecia na orla da Barra.

Ela teve as pernas paralisadas após desenvolver um distúrbio neurológico chamado de polineuropatia, após contato com água de esgoto, e encontrou no esporte a força para viver. Ao todo, são 15 anos como atleta de rua e outros 15 como atleta PCD.

“A corrida foi a coisa mais importante na minha vida. Eu morei um ano em hospital e, logo em seguida, comecei o tratamento. Eu caí, mas me levantei mais forte e enfrentando os obstáculos. Cada dia da minha vida, eu aprendo e tenho evolução maior. O esporte foi tudo, me ajuda a trabalhar a depressão, tenho meus altos e baixos e vou para cima, buscando meus objetivos.”

Neste ano, mais uma vez, ela fará os 42 km. Morador de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, José Bonifácio Soares Filho, conhecido como Baby Maratonista, tem 55 anos e é PCD de baixa visão. Há 27 anos, ele participa das corridas de rua.

“Sou muito grato a Deus por existir esse esporte, principalmente para nós, pessoas com deficiência. Comecei em 1999 como curiosidade. No mesmo ano, participei de uma corrida oficial realizada pela Federação Baiana de Atletismo, chamada Corrida Eliminatória da São Silvestre. Corri e por ironia do destino, ganhei em um sorteio uma passagem de ida e volta para São Paulo para participar da São Silvestre. Fiz os 15 km no meio de 13 mil pessoas e ainda consegui bater a meta: fiquei entre os mil primeiros colocados”, relata.

Ano passado, o atleta concluiu 42 km em 3h28min, chegando em segundo lugar como PCD.

O treinador de Angelina e de José Bonifácio, Felipe Albuquerque, conhecido como Chokito, afirma que a estrutura fisiológica da preparação para a maratona segue os princípios do treinamento de endurance.

Chokito lembra que, para atletas PCD, a individualização precisa ser ainda maior. “O ponto central não é simplesmente adaptar o treino de uma pessoa com deficiência, mas entender como aquele atleta produz movimento, quais são suas limitações funcionais, quais compensações aparecem com a fadiga e quais são as exigências específicas da sua categoria. Eu procuro estruturar a preparação em cinco frentes: avaliação funcional e clínica; técnica específica; força; desenvolvimento aeróbio e especificidade da maratona.”

Avaliação – Para garantir a participação dentro das regras do esporte paralímpico, os atletas passam por avaliação realizada por uma banca de classificadores do Comitê Paralímpico Brasileiro. A classificação considera as características funcionais de cada participante e define a categoria em que ele poderá competir.

As categorias atestadas pelos classificadores serão: Cadeirante (CAD) – Rodas esportivas (três rodas, duas grandes e uma pequena); Deficiente Visual (DV) – T11, T12 e T13; Amputados de Membros Inferiores (AMP) – T42, T43 e T44; Amputados de Membros Superiores (DMS) – T45 e T46; Deficiente Intelectual (DI) – T20; e PCD Geral – demais categorias de paratletas.

Todas as categorias darão prêmios com troféus, sendo que as que são 42 km e 21 km concederão também prêmio em dinheiro.

Fonte: Secom PMS
Fonte: Jefferson Peixoto

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