Realizada pelo Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) e pelo Observatório do Racismo Ambiental, a Rota das Pretas reúne cerca de 50 mulheres negras, jovens, adultas e idosas, diferentes territórios e segmentos de Salvador para uma aula prática que propõe reconhecer, no território, como o racismo ambiental opera e como as comunidades constroem suas resistências.
O racismo ambiental não é apenas um conceito. Ele está presente nas condições desiguais de acesso à água, saneamento, moradia, infraestrutura, saúde e qualidade ambiental, atingindo de forma mais intensa determinados grupos e territórios. Mas como reconhecer essas desigualdades quando elas fazem parte da paisagem e do cotidiano?
É para aproximar essa discussão da realidade que cerca de 50 mulheres negras de diferentes territórios e segmentos de Salvador estarão, neste sábado (29), em Ilha de Maré, para participar da Rota das Pretas. A proposta é sair do espaço de formação e levar o conhecimento construído nas oficinas para o território, transformando a experiência em uma nova forma de aprendizagem.
A atividade é resultado de uma inquietação do Centro de Arte e Meio Ambiente – CAMA e do Observatório do Racismo Ambiental – ORA e integra o projeto “Mulheres Negras pela Justiça Climática: Contra o Racismo Ambiental e pelo Direito à Vida”. Ao longo de seis meses, o projeto promove uma série de oficinas voltadas à formação de mulheres negras, criando espaços para compreender, discutir e decodificar o racismo ambiental em suas diferentes dimensões.
Na Rota das Pretas, esse processo de formação encontra uma realidade concreta. A proposta é perceber como o racismo ambiental aparece no cotidiano, compreender os processos que produzem as desigualdades socioambientais, identificar quem é mais afetado por elas e conhecer as estratégias de resistência construídas pelas comunidades.
Para Ana Carine Nascimento, pesquisadora do Observatório do Racismo Ambiental e coordenadora do projeto, levar a formação para o território é parte fundamental da proposta.
“A Rota das Pretas nasce da necessidade de não deixar o racismo ambiental restrito ao campo do conceito. Depois de seis meses de formação, queremos criar uma experiência em que as mulheres possam olhar para o território com outras perguntas, reconhecer aquilo que muitas vezes foi naturalizado e compreender as relações entre ambiente, desigualdade e racismo. A Rota transforma o território em sala de aula e a experiência das comunidades em conhecimento.”
Entre as participantes está Maria Quitéria, catadora de materiais recicláveis autônoma, que participou das oficinas e agora se prepara para vivenciar o território de Ilha de Maré. Para ela, a expectativa é experimentar, no território, aquilo que começou a compreender durante o processo de formação.
“Eu estou muito ansiosa para viver essa experiência e ver de perto o que a gente vem discutindo nas oficinas. A formação fez a gente começar a olhar para situações do nosso dia a dia de uma maneira diferente. Agora quero conhecer essa realidade, ouvir as pessoas que vivem lá e entender o que vou conseguir enxergar a partir de tudo que aprendi.”
A presença de mulheres negras de diferentes gerações, territórios e segmentos também cria uma oportunidade de intercâmbio. A expectativa é que a experiência permita reconhecer desafios que atravessam diferentes comunidades, compartilhar estratégias de enfrentamento e fortalecer conexões entre mulheres que atuam em áreas e realidades diversas de Salvador.
A Rota das Pretas é realizada pelo Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) e pelo Observatório do Racismo Ambiental, como parte do projeto “Mulheres Negras pela Justiça Climática: Contra o Racismo Ambiental e pelo Direito à Vida”, com apoio da ONU Mulheres e da Luxembourg Aid & Development.
A proposta é que a vivência em Ilha de Maré amplie o olhar das participantes sobre seus próprios territórios, fortalecendo a capacidade de reconhecer as desigualdades socioambientais, valorizar os saberes das comunidades e construir novas conexões entre mulheres e territórios.
Sobre o CAMA
Fundado em 1996, em Salvador (BA), o Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) é uma OSC sem fins lucrativos cuja missão é fortalecer a garantia de direitos de indivíduos e grupos vulnerabilizados. A organização desenvolve projetos nas áreas de economia solidária, inclusão socioeconômica de catadores(as) de materiais recicláveis, educação ambiental, equidade de gênero e combate ao racismo ambiental.
Fonte / Foto: Assessoria de Comunicação – Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA)
