Estudo canadense investigou CBD e THC antes e depois da artroplastia do joelho para avaliar dor crônica, segurança e viabilidade do tratamento.
Uma combinação de CBD e THC está sendo investigada como possível estratégia para prevenir a dor crônica após a artroplastia, uma cirurgia realizada no joelho.
Pesquisadores canadenses acompanharam pacientes submetidos à operação e compararam uma formulação oral à base de Cannabis com placebo.
O tratamento começou quatro semanas antes do procedimento e continuou por pelo menos seis semanas.
O resultado que mais chamou atenção apareceu três meses depois da cirurgia. Nesse momento, 13% dos participantes que receberam Cannabis apresentavam dor crônica pós-cirúrgica, contra 41% daqueles que receberam placebo.
Apesar dos números, os próprios pesquisadores alertam que o estudo ainda não permite dizer que os canabinoides previnem a dor após a cirurgia.
Por que a artroplastia do joelho é realizada
No estudo, os pacientes passaram por uma artroplastia total do joelho. Essa cirurgia é realizada para aliviar a dor e recuperar a função da articulação em pacientes com osteoartrite avançada no joelho.
A osteoartrite é uma doença que afeta a articulação e, nos casos mais avançados, pode causar dor e prejudicar os movimentos. Na artroplastia, a articulação afetada é substituída cirurgicamente.
Embora um dos objetivos da operação seja reduzir a dor, nem todos os pacientes conseguem alívio duradouro. De acordo com o estudo canadense, aproximadamente 20% das pessoas submetidas à artroplastia total do joelho desenvolvem dor crônica pós-cirúrgica.

Por que os pesquisadores começaram o tratamento antes da operação
A estratégia dos pesquisadores começou quatro semanas antes da cirurgia. Segundo os autores, uma maior intensidade da dor antes da operação e no período logo após o procedimento está associada a maior risco de desenvolver dor crônica.
Por isso, a abordagem com medicamentos à base de Cannabis ocorreu antes e depois da artroplastia.
Mais CBD e menos THC: como era o produto testado
A formulação utilizada tinha uma proporção de aproximadamente 25:1 de canabidiol (CBD) e ∆9-tetrahidrocanabinol (THC).
A concentração era de cerca de 50 mg/mL de CBD e 2 mg/mL de THC. O produto também continha pequenas quantidades de outros canabinoides, entre eles canabicromeno (CBC), canabinol (CBN) e canabigerol (CBG).
Os pacientes começaram com uma quantidade menor do medicamento, que foi aumentada gradualmente até chegar a uma dose tolerável. O limite estabelecido foi de 125 mg de CBD e 5 mg de THC por dia.
A escolha dos pesquisadores por um produto rico em CBD seria uma forma de equilibrar potencial terapêutico e segurança.
O THC é o principal canabinoide associado aos efeitos psicoativos da Cannabis. Já o CBD não produz esses mesmos efeitos e vem sendo estudado em diferentes contextos relacionados à dor e à inflamação.
A diferença apareceu aos três meses
A dor crônica moderada ou intensa foi avaliada três e seis meses após a cirurgia.
Aos três meses, estava presente em 41% dos participantes do grupo placebo e em 13% daqueles que receberam Cannabis.
Aos seis meses, a diferença ficou bem menor: 19% no grupo placebo e 14% no grupo Cannabis.
O que outros estudos ainda precisam esclarecer
Ao todo, foram registrados 66 eventos adversos, ou efeitos indesejados, entre 31 participantes. Náusea e diarreia foram os problemas mais frequentes. Também houve relatos de irritação na garganta, dor de cabeça e dificuldade de concentração.
Os eventos relacionados ao tratamento ocorreram em proporções semelhantes nos grupos placebo e Cannabis. Por isso, os pesquisadores afirmam que estudos maiores serão necessários para avaliar a segurança a longo prazo.
Além disso, novos ensaios clínicos nessa área deverão testar outras formas de administrar o medicamento. O óleo utilizado no estudo pode ter dificultado a adesão ao tratamento por causa do sabor e dos efeitos gastrointestinais. Portanto, os autores pretendem trocar as gotas por cápsulas.
Também pretendem incluir mais centros de pesquisa e aumentar a quantidade máxima de THC permitida. Nos próximos ensaios, os pesquisadores planejam manter o mesmo limite de CBD, mas permitir até 10 mg de THC diariamente.
Por enquanto, não existem evidências que justifiquem alguma mudança nos protocolos para a artroplastia total do joelho.
