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Cannabis sem THC nem CBD: genética americana chega ao Brasil com foco em CBG

A variedade de cânhamo industrial, batizada de Badger G®, está sendo introduzida no Brasil pela empresa Rochedo Assets Investments, com sede em Mato Grosso. O principal diferencial da genética, patenteada pela companhia, é a ausência total de tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), apresentando, em contrapartida, altos níveis de canabigerol (CBG), conhecido como a “molécula-mãe” dos canabinoides.

Desenvolvida em Wisconsin (EUA) pela Crop Innovation, a planta utiliza a técnica de edição genética CRISPR-Cas9. O método, segundo os desenvolvedores, “desativa” os genes responsáveis pela síntese de THC e CBD, mantendo ativa apenas a via metabólica do CBG.

André F. Steiner, proprietário da licença da Badger G®, explica que a técnica difere da transgenia (OGM). “Ela é diferente de uma modificação genética, onde eu pego um gene de um inseto e coloco dentro do DNA da planta”, afirma. A técnica CRISPR entra dentro do DNA e corta a expressão dos genes que a gente quer cortar, como o THC e o CBD”.  

CBG e a segurança na fiscalização

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pesquisador Mike Petersen e o empresário André F. Steiner, em Wisconsin, EUA. Imagem: Divulgação

A escolha pelo CBG, segundo Steiner, é estratégica. Ele aponta que, embora existam cerca de 120 canabinoides, a maioria se transforma em THC ou CBD ao final da maturação. O CBG e outros canabinoides “raros” sobram em pequenas quantidades, exigindo grandes volumes de biomassa para extração, o que eleva o preço — Steiner estima o quilo do CBG em 4 mil dólares.

“A gente conhece o poder desse canabinoide para a saúde”, diz o empresário, citando pesquisas sobre seus potenciais anti-inflamatórios, neuroprotetores e analgésicos.

Além da composição química, a genética possui uma característica visual distinta, folhas naturalmente vermelhas. De acordo com a empresa, isso funciona como uma “assinatura genética” que facilita o controle e a fiscalização, distanciando-a visualmente das variedades psicoativas.

“Para a fiscalização ficou simples. Tudo que é vermelho é legal. O que não é mais vermelho, pode não ser legal”, destaca Steiner. Ele compara a facilidade de identificação com os altos custos de segurança exigidos em outros países para o cultivo de cannabis, como na Jamaica, onde atuava. “O Brasil é para a gente plantar em grande escala, num campo, sem ficar preocupado”.  

Estratégia de entrada e regulamentação

O público-alvo inicial da Badger G® é o setor de saúde. “A indústria farmacêutica é o nosso foco, porque agora a gente pode entregar para eles o que eles querem, em grande escala”, afirma Steiner.

Aproveitando o momento de regulamentação do cultivo para fins medicinais – que atualmente está nas mãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após o Governo Federal solicitar mais 180 dias para entregar a regulamentação – a empresa busca iniciar conversas com órgãos reguladores.

Conforme o empresário, a genética já possui aprovação do Departamento de Agricultura (USDA) e da Agência de Proteção e Saúde de Animais e Plantas (APHIS) nos Estados Unidos, que a consideram uma “planta qualquer”.

Steiner informa que a empresa planeja usar essa documentação para “ativar o Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária] e a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”. Ele menciona também o engajamento com a Embrapa, governadores e senadores para apresentar a genética como uma solução para os impasses regulatórios do cânhamo no Brasil.

“Acreditamos que, no curto prazo, o governo brasileiro e as agências de regulamentação já entendem que estamos perdendo dezenas, senão centenas de bilhões de dólares ao ano”. Steiner, que estima um avanço regulatório “entre três e seis meses”. Ele também sugere que a regulamentação pode ocorrer em nível estadual, através de decretos.

Visão industrial e futuras genéticas

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André F. Steiner, proprietário da licença da Badger G®, em frente a estufa de cannabis. Imagem: Divulgação 


Embora o foco imediato seja farmacêutico, Steiner vê a Badger G® como uma “porta de entrada” para o uso industrial completo do cânhamo no Brasil, abrangendo setores como construção civil (bioconcreto), têxtil, bioplásticos e biodiesel.

A empresa já trabalha no desenvolvimento de novas variedades focadas em outros canabinoides raros. “A gente já pode produzir, daqui a pouco a gente já tem o outro no forno para sair com canabicrome (CBC). E depois a gente vai ter um outro cultivar e um outro cultivar”, adianta.

Fonte: Sechat
Foto: Divulgação

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