Saúde

Obesidade é a principal causa de doenças crônicas, hepáticas e cardiovasculares

As doenças do fígado associadas à obesidade foram temas de palestras e debates na manhã desta quinta-feira (26), durante o Gastro Bahia – V Congresso de Gastroenterologia, evento que reúne pesquisadores, especialistas e estudantes, no Hotel Mercure, em Salvador. Até sábado (28), serão abordados temas relacionados às doenças do aparelho digestivo, com discussões e seminários voltados para profissionais de saúde.

Presidente da Sociedade de Gastroenterologia da Bahia, Lívia Dórea lembrou que a obesidade é uma endemia e que causa preocupação. “Por isso, estamos trazendo o que há de mais atual, no que se refere a informações sobre o tema”, disse. Na Bahia, o número de pessoas acima do peso chega a 60%.

A gastroenterologista ressalta que a má qualidade na alimentação e o estilo de vida acelerado contribuem para o agravamento do quadro e alerta para o cuidado com as crianças. “A merenda escolar precisa ser acompanhada e o biscoito recheado precisa dar lugar às frutas e produtos naturais, em vez dos processados”, conta.

Já o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Áureo Delgado, enfatizou a importância de evitar o sobrepeso com cuidados que considera primários como a alimentação balanceada, com ingestão de fibra, água, atividade física e eliminar ou limitar o máximo possível o consumo de álcool e cigarro.

A médica gastroenterologista, hepatologista e professora da Universidade Federal da Bahia, Helma Cotrim, apresentou estudo que mostra que um terço da população mundial convive com doença gordurosa do fígado (esteatose hepática). Na América Latina, o percentual chega a 44%, tendo o Brasil como um dos líderes neste tipo de patologia.

Ela conta que dentre os variados tipos de esteatose, o mais frequente está associado à sindrome metabolica, como diabetes, dislipidemia e obesidade, aumentando a chance de morte por doenças cardiovasculares e doenças hepáticas.

Helma Cotrim ressalta que o primeiro passo para evitar ou amenizar os efeitos das doenças causadas pelo obesidade é reduzir o peso, sobretudo a circunferência abdominal. Ela alertou que os medicamentos para o combate ao excesso de peso são caros para o padrão de vida do brasileiro, mas que eles tendem a ter seus preços reduzidos.

Canetas de emagrecimento – A médica explicou a importância dos medicamentos para o controle de doenças, mas alertou que não pode haver uma banalização em seu uso. “A mudança de comportamento é fundamental, pois os medicamentos perdem o efeito se descontinuados”, alerta.

Palestrante do encontro, a médica gastroenterologista e hepatologista, Lourianne Cavalcante, explicou que a fibrose hepática é o principal preditor de mortes por doenças do fígado e representa um estágio mais avançado, caracterizado por acúmulo de gordura, inflamação e formação de cicatrizes. “A progressão dessa condição aumenta o risco de doenças cardiovasculares, cirrose e câncer de fígado”.

Em relação ao manejo, ela enfatizou a importância do controle dos fatores de risco, como diabetes, obesidade e dislipidemia, que é o colesterol elevado. Lourianne elencou a importância de hábitos saudáveis, como dieta e exercício físico “e quando indicado, fazer uso de medicações” para evitar a chegada de um estado mais crítico de doenças hepáticas. “A cicatriz (fibrose) até determinado estágio, ela é reversível. A perda de 10% do peso corporal, associada a mudanças no estilo de vida, resulta em melhora da inflamação e, em alguns casos, da fibrose. Atualmente, com a combinação de perda de peso com hábitos saudáveis aliado aos novos medicamentos, os resultados são ainda mais promissores”, explica.

Lourianne também contou que há a possibilidade de chegar ao mercado drogas antifibróticas que podem ajudar no tratamento da fibrose mais avançada de pacientes com doença hepatica esteatótica, ja em fase 3 de testes em todo mundo.

Sobre os processos de diagnóstico, ela fez um histórico dos estágios de investigação e ressaltou algumas evoluções. “A biópsia hepática, um procedimento invasivo, continua sendo o padrão-ouro. Contudo, houve avanços significativos, com marcadores não invasivos de fibrose. Atualmente, há combinações de formulas matemáticas com exames laboratoriais a procedimentos de elastografia hepática (como o Fibroscan), ressonância magnética, que já auxiliam os profissionais”.

Ela acredita que o casamento de novos equipamentos com a inteligência artificial pode ser muito importante no futuro. No entanto, Lourianne disse que as I.As não substituem os médicos.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Gabriel Carvalho

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