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Copa pode ajudar crianças a entender que ganhar, perder e tentar de novo fazem parte do jogo

Admiração por ídolos, torcida e emoção em família podem abrir espaço para falar sobre limites, respeito e resiliência

Em época de Copa, o futebol ultrapassa o campo e entra na rotina das famílias. Crianças escolhem ídolos, vestem camisas, acompanham jogos e, muitas vezes, vivem cada lance como se também estivessem em campo. A vitória provoca euforia, mas a derrota pode trazer choro, irritação e frustração. Para especialistas, esses momentos ajudam famílias a conversar sobre emoções, convivência, respeito às regras e limites.

Segundo a psicóloga Maria Celina Ferreira Goedert, docente do curso de Psicologia da Estácio e representante da Psicologia do Esporte na Comissão de Saúde pelo Conselho Regional de Psicologia de MS (CRP14/MS), o esporte mobiliza emoções não apenas em quem joga, mas também em torcedores, familiares e em todos que participam daquele ambiente.

“Quando a gente é criança, esse pertencimento acontece de uma forma muito intensa. A criança não só assiste a um jogo, ela faz parte dele”, explica. Por isso, a admiração por jogadores e seleções pode ocupar um espaço importante no imaginário infantil, como acontece com personagens de filmes, histórias e super-heróis.
A psicóloga lembra, porém, que o esporte é feito por pessoas reais, sujeitas a erros, falhas e derrotas. Diferente de um filme ou desenho, não há roteiro garantido. “O esporte é imprevisível. Lidar com essa frustração dentro do futebol pode ajudar a criança a levar esse aprendizado para outras situações da vida”, afirma.

Quando perder também ensina

Para Claudio Henrique Pereira Verão, mestre em Ciências do Movimento e professor do curso de Educação Física da Estácio, o futebol contribui para a formação de crianças e adolescentes porque apresenta situações que também fazem parte da vida adulta. Entre elas, a necessidade de lidar com resultados adversos, reconhecer o esforço do outro e respeitar a vitória do adversário.

“O futebol ensina que nem sempre vamos ganhar e que, quando tivermos resultados diferentes do esperado, precisamos respeitar quem venceu”, destaca.

Grandes competições também ajudam a falar sobre convivência. Pessoas de diferentes lugares, culturas e formas de torcer dividem o mesmo espaço, seguem regras comuns e se reúnem em torno de um objetivo coletivo. Para Claudio, pais e professores podem usar os jogos para mostrar que todos os ambientes têm regras e que, quando elas não são respeitadas, existem consequências.

Maria Celina reforça que o aprendizado depende da mediação dos adultos. Quando uma criança chora porque o time perdeu, dizer apenas “é só um jogo” pode criar distanciamento. O melhor caminho é escutar, acolher e ajudar a criança a entender o que está sentindo. “Às vezes, a gente acha que crianças e adultos nascem sabendo lidar com vitória e derrota, mas ninguém aprende isso sozinho. É uma construção feita com apoio, convivência e bons exemplos”, pontua.

A reação dos adultos também pesa. Se pais e familiares xingam, brigam ou tratam o adversário como inimigo, a criança pode transformar essa postura em referência. Por outro lado, quando há diálogo, o futebol pode ensinar resiliência, paciência, disciplina, trabalho em equipe e respeito.

Em época de Copa, portanto, a vitória de um ídolo pode inspirar, mas a derrota também pode educar. Ganhar, perder, tentar de novo e respeitar o outro são aprendizados que seguem muito além dos 90 minutos.

Fonte: Frente & Verso Comunicação Integrada
Foto: Gerada por IA/Magnific

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