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Estudo clínico aponta que CBD pode aliviar sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo

Pesquisadores avaliaram 25 mg de CBD por dia como complemento ao tratamento convencional do transtorno obsessivo-compulsivo.

Pesquisadores observaram uma redução nos sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo, o TOC, entre pacientes que receberam canabidiol (CBD) como complemento ao tratamento convencional.

estudo clínico randomizado e controlado por placebo acompanhou 30 adultos, divididos aleatoriamente em dois grupos. Metade recebeu 25 mg de CBD por dia, enquanto a outra metade recebeu placebo. Todos os participantes continuaram com o tratamento padrão durante o estudo.

Ao longo do acompanhamento, a pontuação média dos sintomas caiu de forma mais acentuada no grupo que utilizou CBD.

O que é o transtorno obsessivo-compulsivo

O TOC é um transtorno relacionado ao funcionamento do cérebro e à saúde mental, marcado pela presença de obsessões e compulsões recorrentes.

De acordo com os pesquisadores, as obsessões são pensamentos persistentes e indesejados que podem provocar sofrimento.

Já as compulsões seriam comportamentos ou ações repetitivas que a pessoa sente necessidade de realizar.

O transtorno pode se manifestar de diferentes formas, como:

  • • temor de contaminação acompanhado de comportamentos repetidos de lavagem;
  • • preocupação com erros ou perigos associada à verificação constante;
  • • necessidade de simetria, organização, contagem ou ordenação;
  • • comportamento de acumulação;
  • • pensamentos que surgem de maneira involuntária e causam angústia.

De acordo com os autores do estudo, os sintomas do TOC podem prejudicar a vida social, familiar e profissional.

Por que novas opções de tratamento são investigadas

Os pesquisadores estimam que o transtorno atinja entre 2% e 3% da população mundial. Os tratamentos convencionais incluem acompanhamento psicológico e medicamentos.

Ainda assim, os autores ressaltam que uma parcela considerável dos pacientes não apresenta melhora suficiente com os tratamentos disponíveis.

Diante disso, os pesquisadores avaliaram o CBD como uma possível terapia complementar. Significa que o composto da Cannabis foi utilizado em conjunto com o tratamento convencional.

CBD foi associado à queda na pontuação dos sintomas

Os participantes tinham entre 18 e 55 anos e diagnóstico confirmado de TOC. O grupo tratado com CBD recebeu 25 mg por dia de um produto sem quantidades detectáveis de THC.

A intensidade dos sintomas foi avaliada pela Escala Yale-Brown. A ferramenta contém dez perguntas: cinco relacionadas aos pensamentos obsessivos e cinco voltadas às ações compulsivas. A pontuação pode chegar a 40, e os valores mais altos indicam maior gravidade dos sintomas.

No início do estudo, os dois grupos apresentavam resultados semelhantes: média de 25,12 pontos no grupo que recebeu CBD e de 26,13 no grupo placebo.

Em uma das avaliações durante o estudo, a média caiu para 16,8 pontos entre os pacientes que receberam canabidiol. No grupo placebo, a média ficou em 23 pontos.

Na avaliação final, após oito semanas, as pontuações médias foram:

  • • 20 no grupo CBD;
  • • 24,3 no grupo placebo.

Como o CBD pode ter atuado

O estudo não investigou diretamente os processos do organismo que poderiam explicar a melhora considerada relevante.

Segundo os autores, estudos anteriores indicam que diferentes sistemas de comunicação do cérebro podem estar envolvidos no TOC.

O CBD interage com o sistema endocanabinoide, uma rede formada por receptores, moléculas e enzimas. Esse sistema participa da regulação de processos do organismo como humor, sono, resposta ao estresse e percepção da dor.

Ao interagir com esse sistema, o canabidiol pode ter ajudado a regular o funcionamento de regiões excessivamente estimuladas do cérebro.

Resultados promissores, mas exigem mais confirmações

Os resultados do estudo sugerem que o uso do medicamento à base de CBD foi associado a uma redução da pontuação média do transtorno obsessivo-compulsivo após um tratamento de oito semanas.

Novos estudos precisarão confirmar esses resultados, testar outras formulações e acompanhar os pacientes por mais tempo.

Fonte: Cannabis & Saúde
Imagem: AI


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