Bitcoin recua US$ 77 mil com saída de ETFs, petróleo acima de US$ 100 e queda forte de memecoins antes dos dados de inflação dos EUA
O Bitcoin luta para manter os US$ 78 mil nesta quinta-feira (10), apagando a recuperação da véspera em meio a uma nova rodada de pressão sobre o mercado cripto, que atinge mais fortemente memecoins e outras altcoins menores.
Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 2,1%, cotado a US$ 77.862 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 400.105, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 2%, a US$ 2.467. Já o XRP cai 4,2%, enquanto a Solana tem queda de 3,6% e a BNB recua 5,3%.
A queda não está concentrada apenas no Bitcoin. O movimento é mais forte nos ativos de maior risco dentro do mercado cripto. O índice de memecoins do CoinDesk recua cerca de 10% em 24 horas, enquanto o índice de criptomoedas de menor capitalização perde 5,1%. Já o CoinDesk 100, que acompanha uma cesta mais ampla de ativos digitais, cai 3,7% no mesmo período.
O cenário tradicional não explica sozinho o recuo. Futuros do S&P 500 avançavam levemente, os contratos do Nasdaq estavam estáveis, o ouro subia pouco e o índice do dólar também não mostrava grandes mudanças. O problema, mais uma vez, está no pano de fundo macroeconômico: petróleo alto, juros longos pressionados e incerteza sobre a próxima decisão do Federal Reserve.
O petróleo segue como um dos principais focos de preocupação. O Brent voltou a negociar acima de US$ 100 por barril, enquanto o WTI passou de US$ 97, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. A alta da energia reforça o risco de inflação mais persistente e pressiona as expectativas para os juros nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries continuam em patamares elevados mesmo após o Tesouro dos EUA anunciar um programa de recompra de US$ 6 bilhões em títulos de 10 a 20 anos. A medida ficou abaixo do que parte do mercado esperava e não impediu a alta dos juros longos: o rendimento do título de 10 anos voltou para perto de 4,85%, enquanto o de 30 anos se aproximou de 5,3%.
Esse ambiente costuma pesar sobre o Bitcoin porque juros mais altos aumentam o retorno dos títulos públicos e reduzem a disposição dos investidores a assumir risco em ativos sem rendimento próprio. A pressão também aparece nos derivativos: o sentimento em futuros voltou a ficar negativo, com a relação entre compras e vendas agressivas apontando maior força dos vendedores. O interesse em aberto caiu cerca de 2%, para US$ 139 bilhões, enquanto o volume subiu, sinal de rotação e saída moderada de capital.
O mercado agora acompanha dois dados de inflação nos EUA. O índice de preços ao produtor, o PPI, sai nesta quinta-feira, enquanto o índice de preços ao consumidor, o CPI, será divulgado na sexta. Os números devem ajudar a calibrar as apostas para a reunião do Fed dos dias 15 e 16 de setembro, que ganhou importância após dados econômicos fortes e a alta do petróleo.
Segundo levantamento da Reuters, a maioria dos economistas ainda espera que o Fed mantenha os juros estáveis em setembro, mas cresceu o número de analistas que veem chance de pelo menos uma alta até o fim do ano. O mercado, por sua vez, tem precificado uma probabilidade próxima de 60% para aumento de juros na próxima reunião.
ETFs de Bitcoin têm segundo dia de saída
A pressão também vem dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Os fundos registraram saída líquida de cerca de US$ 120 milhões na quarta-feira, no segundo dia consecutivo de resgates. O principal impacto veio do ARKB, da Ark Invest e 21Shares, que perdeu cerca de US$ 78 milhões. O GBTC, da Grayscale, teve saída de US$ 27 milhões, enquanto o IBIT, da BlackRock, perdeu US$ 20 milhões.
Dados de acompanhamento dos ETFs também mostram saída líquida de aproximadamente US$ 100,7 milhões em 9 de setembro, com o ARKB como maior resgate do dia e o MSBT, da Morgan Stanley, como único fundo com entrada relevante, de cerca de US$ 4,5 milhões.
O contraste é que outros produtos cripto tiveram melhor desempenho. ETFs de Ether captaram quase US$ 35 milhões depois de perdas na terça-feira, enquanto fundos ligados a XRP e Solana receberam cerca de US$ 12 milhões cada. Ainda assim, o fluxo positivo em outros ativos não foi suficiente para compensar a saída dos fundos de Bitcoin.
O comportamento dos ETFs será um dos principais termômetros dos próximos dias. Se os resgates continuarem, o Bitcoin pode ter dificuldade para recuperar a faixa dos US$ 80 mil. Por outro lado, uma retomada das entradas, combinada com dados de inflação mais fracos, poderia aliviar a pressão dos juros e recolocar o BTC em direção à região dos US$ 82 mil.
Por enquanto, o Bitcoin segue preso entre a defesa de preços perto de US$ 78 mil e a resistência criada pelo ambiente macro. A queda mais forte em memecoins e small caps mostra que o apetite por risco diminuiu, enquanto investidores esperam sinais mais claros sobre inflação, Fed e fluxo institucional antes de retomar compras com mais força.
Fonte: Portal do Bitcoin
Foto: Pexels / Jonathan Borba
