Economia

Casas Bahia pede recuperação judicial e reacende debate sobre emprego na Bahia

O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, protocolado neste domingo (16), voltou a colocar em discussão a situação das empresas e os efeitos de uma crise empresarial sobre o mercado de trabalho. A varejista busca renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter suas operações durante o processo.

A crise inclui o fechamento de 298 lojas e um plano de redução do quadro de funcionários. O grupo também registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado influenciado por efeitos contábeis não recorrentes.

O caso chama atenção pelo impacto que uma crise empresarial pode provocar sobre trabalhadores e famílias. E traz uma questão que vai além da situação de uma única empresa: em um estado que vem criando empregos formais, por que ainda pode ser tão difícil encontrar uma oportunidade de trabalho?

Na Bahia, foram criados 55.594 empregos formais entre janeiro e junho de 2026, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado colocou o estado na liderança do Nordeste. Em junho, foram 8.985 novas vagas.

Ao mesmo tempo, a taxa de desocupação na Bahia ficou em 9,1% no segundo trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O índice foi o segundo maior entre os estados, atrás apenas do Amapá, que registrou 9,8%.

Os dois indicadores mostram realidades diferentes. O Novo Caged acompanha a movimentação dos empregos formais, enquanto a PNAD Contínua analisa o mercado de trabalho de forma mais ampla. Por isso, é possível haver criação de vagas com uma parcela significativa da população ainda procurando trabalho.

Para a gestora pública, professora universitária e empresária Luciana Buck, que foi diretora de Desenvolvimento Econômico de Salvador, a crise da Casas Bahia mostra como os problemas de uma empresa podem chegar rapidamente ao trabalhador.

“O que aconteceu com a Casas Bahia mostra como uma crise empresarial pode chegar rapidamente ao trabalhador. Quando uma empresa precisa fechar lojas ou reduzir seu quadro, o impacto ultrapassa os números da empresa e chega às famílias.”

Luciana também aponta o ambiente econômico como parte desse cenário e defende a redução da burocracia para quem empreende.

“Precisamos facilitar a vida de quem quer empreender e de quem já tem um negócio. Quanto mais simples for abrir, regularizar e manter uma empresa, mais condições o empreendedor terá de se concentrar no que realmente importa: produzir, vender, crescer e contratar.”

Para Luciana, outro ponto que precisa entrar nessa discussão é o impacto da dívida pública sobre o cenário de juros.

“Precisamos falar também sobre a dívida pública pressionando para cima a taxa de juros. Quando os juros permanecem elevados, o crédito fica mais caro para as empresas, especialmente para aquelas que dependem de financiamento e capital de giro. Esse é um dos principais fatores que pressionam as empresas e podem contribuir para o fechamento de negócios e a perda de empregos.”

Segundo o Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 81,9% do PIB em junho de 2026, equivalente a R$ 10,8 trilhões. No acumulado de 12 meses até junho, os juros nominais do setor público chegaram a R$ 1,1605 trilhão, equivalente a 8,80% do PIB.

A preocupação, no entanto, não está apenas nas empresas que já estão no mercado. Para Luciana, também é preciso olhar para quem tenta conseguir o primeiro emprego.

“Um dos grandes desafios é o jovem sem experiência. Se as empresas exigem experiência para contratar, mas ninguém dá ao jovem a primeira oportunidade, ele fica preso em um ciclo difícil de romper.”

Ela defende uma aproximação maior entre empresas, instituições de ensino e poder público para criar portas de entrada para esses trabalhadores.

“Precisamos criar mecanismos que permitam ao jovem aprender trabalhando, desenvolver suas primeiras habilidades e conquistar experiência. A primeira oportunidade não pode ser justamente a mais difícil de conseguir.”

Para a gestora, o número de vagas abertas é apenas parte da discussão.

“Não basta olhar apenas para a quantidade de vagas abertas. É preciso criar condições para que as empresas tenham segurança para contratar e para que quem está procurando trabalho consiga acessar essas oportunidades.”

Luciana Buck é administradora de empresas pela UFBA, mestre em Administração Estratégica pela Unifacs, professora universitária e empresária. Empreende desde os 21 anos e também atuou como diretora de Desenvolvimento Econômico de Salvador. Filiada ao NOVO desde 2017, é candidata a deputada federal pela Bahia nas Eleições 2026.

Fonte: Vânia Silva – Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação

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