Luciana Buck defende mais autonomia para escolas e espaço para inovação no ensino brasileiro
A velocidade das mudanças no mercado de trabalho, impulsionadas por tecnologia e inteligência artificial, levanta um debate sobre a capacidade do sistema educacional de acompanhar novas demandas. Para Luciana Buck, candidata a deputada federal (NOVO), o Brasil precisa discutir uma educação mais aberta à inovação, desde o ensino fundamental e médio até o ensino superior.
Administradora, gestora, mestre em Estratégia Empresarial, empreendedora e professora universitária, Luciana defende que o Estado mantenha padrões de qualidade, mas permita maior espaço para que escolas e instituições de ensino desenvolvam e testem diferentes modelos pedagógicos.
Para a candidata, a discussão passa também pela necessidade de recuperar a conexão entre o estudante e a escola, que, segundo ela, vem se perdendo nos últimos anos. A proposta envolve repensar currículos, formas de avaliação e metodologias para que a experiência escolar dialogue mais com a realidade dos alunos e com as transformações da sociedade e do mundo do trabalho.
O debate também envolve a permanência dos estudantes no ensino superior. Segundo o Inep, entre os estudantes que ingressaram em cursos de graduação em 2015, 60% haviam desistido após dez anos de acompanhamento, enquanto 39% haviam concluído o curso e 1% permanecia estudando.
Para Luciana, os dados ajudam a colocar em discussão não apenas o acesso à universidade, mas também a capacidade dos cursos de responder às mudanças nas expectativas dos estudantes e no mercado de trabalho. A reflexão, segundo ela, deve começar antes da chegada ao ensino superior, considerando também a relação do aluno com a escola durante a educação básica.
“Não se trata de abrir mão da qualidade, mas de permitir que a educação tenha mais liberdade para experimentar, avaliar o que funciona e acompanhar as transformações do mercado”, afirma Luciana.
Entre as mudanças defendidas estão diferentes formas de organização curricular e avaliação, maior uso de tecnologia e aproximação entre a formação dos estudantes e as demandas profissionais. No ensino fundamental e médio, a proposta também busca estimular experiências pedagógicas capazes de despertar o interesse e a participação dos alunos.
A candidata cita a reorganização de cursos de graduação na China como exemplo de uma estrutura que vem sendo ajustada para responder a novas demandas. Segundo o Ministério da Educação chinês, nos resultados referentes a 2024, divulgados em 2025, foram aprovados 1.839 novos programas de graduação, enquanto 2.220 tiveram a matrícula suspensa e 1.428 foram oficialmente cancelados. O órgão também informou a criação de 29 novos tipos de programas, incluindo áreas relacionadas a tecnologias emergentes e inteligência artificial.
Para Luciana, a comparação não significa reproduzir o modelo chinês, mas provocar uma discussão sobre a capacidade do Brasil de atualizar sua formação diante das transformações econômicas e tecnológicas.
A proposta inclui ainda uma discussão sobre o papel do Legislativo na atualização das regras do setor, com foco na redução de burocracia, no estímulo à experimentação e na avaliação dos resultados.
A ideia central defendida pela candidata é que diferentes instituições de ensino tenham mais autonomia para testar soluções, dentro dos parâmetros de qualidade estabelecidos pela legislação, permitindo que experiências sejam avaliadas e aperfeiçoadas. O objetivo é aproximar a educação da realidade dos estudantes e preparar o sistema para as transformações do mundo, sem perder de vista a qualidade do ensino.
Fonte / Foto: Ascom Luciana Buck
