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Estudo revela o impacto do THC no cérebro e no coração durante o sono

Pesquisa mostra o que acontece no cérebro e no coração durante o sono após o consumo de 10 mg de THC por via oral.

Enquanto dormimos, o cérebro alterna entre diferentes estágios, a respiração muda de ritmo e o coração ajusta continuamente o intervalo entre os batimentos.

Consumir um produto à base de Cannabis antes de dormir pode provocar efeitos que passam despercebidos. Para acompanhar essas mudanças em detalhes, pesquisadores dos Estados Unidos administraram uma dose oral de 10 mg de THC a adultos e observaram o que acontecia com o organismo ao longo de uma noite inteira de sono.

Os cientistas queriam entender como o cérebro se comportava em cada fase do sono e de que maneira o sistema nervoso controlava o ritmo dos batimentos cardíacos.

Como os voluntários se prepararam para o experimento

O experimento foi publicado no Journal of Sleep Research. Nele, os participantes receberam um medicamento à base de ∆9-tetrahidrocanabinol (THC) sintético.

O estudo contou com 18 adultos saudáveis. Metade tinha experiência com o consumo de produtos à base de Cannabis. A outra metade não consumia esses produtos havia pelo menos um ano.

Antes de entrarem no laboratório, todos passaram cerca de duas semanas seguindo horários regulares para dormir e acordar. Eles também não podiam utilizar diversos outros medicamentos e ficaram sem cafeína, álcool e nicotina durante o estudo.

Esse controle foi importante para que os cientistas observassem os efeitos do THC sem a interferência dessas outras substâncias.

Três noites sob observação

No laboratório, os participantes passaram por três noites de observação.

A primeira serviu para que se acostumassem ao ambiente e aos equipamentos. Na segunda, receberam um comprimido de placebo uma hora antes de dormir. Na terceira, tomaram 10 mg de THC por via oral no mesmo horário.

Enquanto dormiam, foram submetidos a uma polissonografia completa. Esse exame utiliza vários sensores para observar simultaneamente diferentes funções do organismo.

Eletrodos posicionados no couro cabeludo registraram os sinais elétricos do cérebro. Outros sensores acompanharam os movimentos dos olhos e a atividade muscular abaixo do queixo. Cintas no tórax e no abdômen mediram o esforço respiratório.

O quarto também era cuidadosamente controlado, com temperatura e iluminação regulados durante todo o período de sono.

Cannabis melhora o sono em pacientes com esclerose múltipla

O que mudou em cada fase do sono

Depois de tomarem o THC isolado, os participantes continuaram dormindo por um tempo total semelhante. A distribuição das fases do sono, no entanto, mudou.

Início do sono: os voluntários demoraram mais para adormecer do que na noite em que receberam placebo.

Sono profundo: aumentou a proporção do sono NREM3, fase associada à recuperação física, à redução da frequência cardíaca e a processos de restauração do organismo.

Sono REM: o primeiro período dessa fase, associada a sonhos mais frequentes e ao processamento de memórias, ocorreu mais tarde. A quantidade de sono REM, no entanto, permaneceu semelhante.

Ondas cerebrais: os eletrodos registraram mudanças em diferentes tipos de ondas cerebrais. As ondas predominantes no sono profundo diminuíram mais lentamente.

O coração também respondeu ao THC

Enquanto os participantes dormiam, eletrodos posicionados no peito registraram cada batimento. Assim, os pesquisadores puderam observar como o sistema nervoso ajustava o ritmo cardíaco.

É importante lembrar que o estudo não foi elaborado para medir o risco de doenças cardiovasculares.

Frequência cardíaca: o intervalo entre batimentos ficou menor após o uso do THC, indicando que o coração passou a bater um pouco mais rápido.

Variabilidade cardíaca: diminuíram as pequenas diferenças de tempo entre um batimento e outro.

Sistema nervoso: essa redução indica menor atuação do sistema parassimpático, ligado às funções de repouso e recuperação, sobre o coração durante o sono.

Efeito ao longo da noite: as mudanças apareceram nos diferentes estágios avaliados, incluindo o sono profundo e o REM.

O que pesquisas anteriores encontraram

Nenhuma dessas mudanças permite concluir, isoladamente, se a noite de sono foi melhor ou pior.

O experimento mostra que os compostos da Cannabis interagem com o organismo durante o sono. Algumas dessas interações só podem ser identificadas por meio de análises detalhadas.

Pesquisas anteriores também observaram os efeitos dos canabinoides durante o sono. Em outro estudo, 20 adultos com insônia receberam 10 mg de THC combinados a 200 mg de CBD ou um placebo.

Por meio de um eletroencefalograma de alta densidade, os pesquisadores observaram uma redução na hiperexcitação cerebral característica da insônia.

A combinação de canabinoides também reduziu o sono REM e diminuiu o tempo total de sono em cerca de 20 minutos. Apesar dessas mudanças, os participantes não apresentaram sonolência nem pior desempenho em testes de atenção no dia seguinte.

O que os resultados significam para os pacientes

A condição de saúde, a presença de outros canabinoides, a proporção de THC e CBD e a forma de administração também podem alterar a maneira como o organismo reage.

Para pacientes que utilizam medicamentos à base de Cannabis, os achados não justificam interromper ou modificar um tratamento. O estudo avaliou apenas uma formulação e uma dose específica, em condições controladas. Seus resultados não substituem a avaliação médica individualizada.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Portanto, quem deseja incluir esses compostos no tratamento deve buscar orientação profissional.

Fonte: Cannabis & Saúde
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