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Falta de coordenação entre Brasil, Argentina e Uruguai ameaça biodiversidade marinha diante das mudanças climáticas

As áreas marinhas de Brasil, Argentina e Uruguai são berçários de biodiversidade, corredores para migração de espécies e marcadas pela produtividade da pesca, que emprega quase 900 mil pessoas e injeta na economia cerca de 5 bilhões de dólares anualmente. Um novo estudo publicado na terça (31) na revista Discover Oceans identifica lacunas para a conservação desse contínuo.

Entre os desafios, estão a gestão dessas áreas sem coordenação entre os países, a ausência de dados sobre espécies e ecossistemas da região e a pesca ilegal e predatória – sobretudo de grandes frotas de outros continentes, que miram recursos valiosos como lula e atum.

O artigo tem autoria de pesquisadores de instituições nacionais, como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), e internacionais, como a University of British Columbia (Canadá) e a Universidad Nacional de La Plata (Argentina). Eles observaram o alinhamento de Brasil, Argentina e Uruguai a convenções internacionais e suas iniciativas de cooperação trilateral em relação aos recursos pesqueiros e à proteção da biodiversidade marinha.

Para garantir uma governança colaborativa para o oceano no Atlântico Sudoeste, a pesquisa recomenda o fortalecimento da colaboração científica e do monitoramento e compartilhamento de dados. A gestão sustentável da pesca, que considere as mudanças na distribuição das espécies por conta do aquecimento das águas, também são medidas necessárias. Os autores chamam a atenção para o estabelecimento de estruturas formais de coordenação regional, com compromissos negociados pelos governos dos três países.

As incertezas trazidas pelas mudanças climáticas, aliás, amplificam problemas já existentes – as mudanças nas correntes marinhas podem alterar a circulação de nutrientes e a conectividade entre as espécies, por exemplo.

“No contexto de tensões geopolíticas crescentes, existe uma oportunidade para fortalecer a governança oceânica regional no Atlântico Sudoeste”, avalia o pesquisador Juliano Palacios, primeiro autor do artigo. Em março deste ano, por exemplo, o Brasil sediou o terceiro Simpósio sobre a implementação do Tratado do Alto Mar (BBNJ, na sigla em inglês), no Rio de Janeiro.

O documento passou a vigorar a partir de janeiro de 2026 com a ratificação de 87 países, criando regras internacionais para a proteção da biodiversidade marinha além da jurisdição nacional. “O encontro evidenciou que o sucesso do tratado dependerá da capacidade de transformar compromissos em instituições operacionais, com o conhecimento e a ciência no centro da tomada de decisão e uma interface contínua entre ciência e política”, avalia Andrei Polejack, Diretor de Pesquisa e Inovação do INPO e coautor do artigo.

O Brasil também foi sede recente de duas conferências da ONU, a COP30 de Belém sobre mudanças climáticas e a COP15 em Campo Grande sobre espécies migratórias. E, no ano que vem, receberá a Conferência das Nações Unidas sobre a Década do Oceano na capital carioca. “A região tem a oportunidade de avançar uma agenda política mais estratégica, ancorada na cooperação regional, em evidência científica e na gestão compartilhada dos recursos marinhos”, finaliza Palacios.

Fonte: Agência Bori
Foto: Francesco Ungaro | Pexels

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