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Gummies e cápsulas de Cannabis ganham espaço entre idosos, diz estudo

Estudo com idosos revela aumento do interesse por gummies, cápsulas e medicamentos à base de Cannabis comestíveis

Uma nova pesquisa, publicada na revista científica da Associação Médica dos Estados UnidosJAMA Network Open, ajuda a entender por que idosos estão buscando medicamentos à base de Cannabis.

O estudo entrevistou pessoas com mais de 60 anos no estado do Colorado, nos Estados Unidos, onde a Cannabis é regulamentada para todos os usos e está amplamente disponível.

Os resultados mostram que muitos idosos estão procurando Cannabis como uma alternativa a medicamentos convencionais.

Além disso, os participantes demonstraram interesse em usar produtos comestíveis, como gummies e cápsulas.

Comestíveis ganham espaço entre idosos

Na prática clínica, essa busca por alternativas ao uso do óleo já é percebida pelos profissionais.

A geriatra Camila Sampaio, que prescreve produtos à base de Cannabis para pacientes da terceira idade, afirma que o formato dos produtos influencia diretamente na adesão ao tratamento.

Muitos pacientes não toleram o sabor do óleo, dificultando o tratamento. Para idosos com demência e crianças com transtorno do espectro autista, muitas vezes é difícil usar o óleo sublingual. A opção em comprimido, cápsula ou gummie é uma boa solução para resolver essas questões.”

Camila Sampaio | CRM-MG: 50070

Camila Sampaio | CRM-MG: 50070

Para a médica, a semelhança com remédios convencionais contribui para a aceitação dos comestíveis, além do sabor agradável.

Muitos pacientes gostam do comprimido ou cápsula pela facilidade de transporte e ingestão. Além disso, esses formatos não têm sabor. Outras pessoas preferem a gummie por ser saborosa e parecer uma bala, tornando o tratamento mais divertido.”

Por que idosos estão trocando medicamentos convencionais pela Cannabis

De acordo com os pesquisadores norte-americanos, os motivos mais citados para a procura por tratamentos com medicamentos à base de Cannabis foram:

  • • Evitar os efeitos colaterais de medicamentos convencionais;
  • • Buscar alternativas a tratamentos que já não estavam funcionando.

Muitos relataram preocupação com o uso prolongado de analgésicos, remédios para dormir e medicamentos psiquiátricos.

Alguns citaram medo de dependência e outros efeitos colaterais, como sonolência e problemas cognitivos.

Muitos participantes disseram que dores articulares, piora do sono e alterações de humor se intensificaram nos últimos anos. Essas questões também surgem no consultório da Dra. Camila.

Os idosos procuram Cannabis medicinal principalmente por causa de dores crônicas, transtorno do sono (muitos já em uso de indutores de sono como clonazepam e zolpidem), esquecimento (alguns já com transtornos cognitivos como Alzheimer), Parkinson e etc.”, explica.

THC + CBD: os produtos que os idosos preferem

Entre os participantes da pesquisa, a maior parte escolheu produtos com combinação de THC e CBD, representando 57% das preferências.

Os produtos ricos em CBD ficaram em segundo lugar, com 28%, enquanto apenas 13% optaram por produtos ricos em THC.

Os pesquisadores observaram que muitos idosos enxergam os produtos combinados como uma tentativa de equilibrar possíveis benefícios terapêuticos do CBD com os efeitos relaxantes do THC.

Os participantes também relataram a percepção de que o CBD poderia ajudar sem causar efeitos psicoativos. O THC, por sua vez, foi mais associado a relaxamento, melhora do humor e auxílio para dormir.

Idosos relatam receio com efeitos colaterais e perda de autonomia

Apesar do interesse crescente, o estudo mostra que muitos idosos ainda têm receio dos efeitos da Cannabis, especialmente dos produtos com maior concentração de THC.

Entre as preocupações mais frequentes, estavam:

  • • Dificuldade para dirigir;
  • • Sonolência excessiva;
  • • Piora da memória;
  • • Ansiedade;
  • • Risco de dependência;
  • • Sensação de estar sob efeito psicoativo;
  • • Perda de autonomia nas atividades do dia a dia.
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A Dra. Camila afirma que esses receios aparecem frequentemente no consultório e ainda estão cercados de desinformação.

Uma boa quantidade de pessoas, não só idosos, que têm interesse em fazer uso da Cannabis medicinal, tem medo de ‘viciar’ e de ‘ter alucinações’”, destacou a médica.

Para ela, é importante informar ao paciente que o uso de medicamentos à base de Cannabis com orientação médica é seguro. Segundo a Dra. Camila, o tratamento não altera a cognição e também não causa dependência. “São tabus que ainda existem na população em geral.”

Os cuidados necessários com gummies e cápsulas à base de Cannabis

Os autores da pesquisa também destacaram que os produtos comestíveis à base de Cannabis apresentam desafios próprios, especialmente para idosos.

Isso acontece porque o paciente demora mais para perceber os efeitos, aumentando o risco de consumo excessivo por engano.

Para a Dra. Camila, o ajuste cuidadoso da dose é um dos pontos mais importantes do tratamento com idosos.

Iniciar sempre com dose baixa e orientar a progressão da dose, se necessária, de gota em gota. Isso ajuda a evitar efeitos colaterais como tontura, sonolência e agitação, que podem ocorrer se a dose ficar alta para a pessoa.”

Mais informação e orientação médica

Para os autores do estudo, os resultados reforçam a necessidade de mais pesquisas sobre o uso de medicamentos à base de Cannabis em idosos, principalmente envolvendo produtos combinados de THC e CBD.

Eles também defendem orientações médicas direcionadas a esse grupo, materiais educativos acessíveis e treinamentos para profissionais da saúde.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.

Portanto, se você ou alguém próximo deseja incluir esse tipo de medicação na rotina de cuidado, busque orientação especializada. A avaliação individual é essencial para definir o tratamento e o tipo de medicação.

Fonte: Cannabis & Saúde
Image by freepik

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