Plataforma digital reúne mais de 40 entrevistas com moradores, centenas de fotografias, documentos históricos e produções audiovisuais que ajudam a contar a trajetória do território
Em 2004, dois jovens moradores do Alto do Cabrito e integrantes da Cia. de Arte Cultural E² começaram, através do projeto população cultural, a registrar histórias e memórias da comunidade. Mais de duas décadas depois, parte desse material foi recuperada, digitalizada e incorporada a um novo projeto de preservação da memória do bairro: o Memorial do Alto do Cabrito, que será lançado no próximo sábado (7), às 8h30, no Ponto de Cultura Teatro e², no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
A plataforma digital reúne um acervo formado por mais de 40 entrevistas em áudio e vídeo, centenas de fotografias históricas, documentos, registros de imprensa, materiais bibliográficos e três documentários autorais, além de uma linha do tempo e um mapa interativo com referências culturais e lugares de memória do território.
O projeto nasceu a partir do trabalho do Grupo Comunitário do Alto do Cabrito, criado em 2022 como uma iniciativa para ampliar as ações culturais da Companhia de Arte Cultural E² no território. A construção do memorial surgiu do desejo de moradores e pesquisadores de preservar histórias que, muitas vezes, permanecem guardadas em arquivos pessoais e na memória de quem viveu as transformações do bairro.
Memórias de diferentes gerações.
Um dos diferenciais do projeto é a recuperação de pesquisas realizadas ainda em 2004 por George Bispo e Márcio Bacelar, então adolescentes, moradores do Alto do Cabrito e hoje agentes culturais do território. Entrevistas e registros produzidos naquele período permaneceram guardados durante anos e agora passam a integrar o acervo digital, conectando diferentes gerações e momentos da história da comunidade.
Ao longo da pesquisa, novos moradores também foram entrevistados, ampliando o registro de histórias sobre o cotidiano, as transformações urbanas, as relações comunitárias e os espaços que fazem parte da identidade do Alto do Cabrito.
Para a pesquisadora comunitária do Memorial, Elenilda Cardoso, o processo revelou a importância que os próprios moradores atribuem à preservação de suas histórias.
“Durante as entrevistas percebemos que os moradores ansiavam por contar essa história. É por isso que o memorial é tão importante. O memorial garante que as futuras gerações saibam que este morro foi construído com a força e a coragem da nossa gente.”
Um arquivo construído a partir do território
Além de reunir documentos e registros históricos, o Memorial do Alto do Cabrito busca organizar e disponibilizar ao público diferentes formas de conhecimento produzidas a partir da própria comunidade.
A plataforma conta com fototeca e hemeroteca, com imagens e publicações relacionadas ao bairro; audioteca e biblioteca, com entrevistas, relatos e materiais bibliográficos; além de uma seção dedicada a figuras notáveis, uma linha do tempo e um mapa interativo que identifica referências culturais, pontos afetivos e marcos do território.
A iniciativa também reúne produções audiovisuais, incluindo três documentários autorais realizados a partir das pesquisas e histórias coletadas durante o processo. Confira aqui: https://memorialaltodocabrito.com/
O projeto contou com apoio de iniciativas do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA) e da Companhia de Arte Cultural E². A realização foi contemplada por editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Bahia, com apoio institucional e financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA), via Ministério da Cultura – Governo Federal.
Serviço
Lançamento do Memorial do Alto do Cabrito
Quando: sábado, 7 de novembro, às 8h30
Onde: Teatro E² — Alto do Cabrito, Subúrbio Ferroviário de Salvador
Entrada: gratuita para convidados
Fonte: Louise Nascimento – Assessoria de Imprensa
Foto: Acervo de Carlinhos do Cabrito
