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Sinísia Coni lança livro de fotografias da celebração do El Día de los Muertos, no Palacete Tira Chapéu

O lançamento acontece em fim de tarde/noite de autógrafo, dia 12 de maio, no Palacete Tira Chapéu

Na sua primeira viagem ao México, em 2016, Sinísia Coni se sentiu atravessada por uma sabedoria ancestral de três mil anos que a tocou profundamente. Com seu olhar sensível e atento de fotógrafa, ela registrou o Día de los Muertos, em detalhes, o qual começa sendo celebrado em Outubro e se estende até a semana do dia 2 de novembro.

Publicado pela editora P55, o livro El Día de los Muertos, será lançado dia 12 de maio, das 17 às 21:00 no Palacete Tira Chapéu – Rua Tira Chapéu, Nº 1, esquina com Rua Chile. O livro é trilíngue, com versões em português, inglês e espanhol.

O livro encanta por ser delicado, sério, porém leve, respeitoso e poético, confirmando ser a celebração de El Día de los Muertos, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, adotada pela Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura.

Nas 204 páginas, as tocantes 87 imagens vão além de um registro documental, explorando elementos centrais da celebração na Cidade do México e Oaxaca, duas principais cidades onde El Día de los Muertos é mais celebrado e visitado. Desta forma, a fotógrafa Sinísia Coni evidencia a expressão viva da ancestralidade, presente nos coloridos das flores, velas, alimentos, máscaras, pinturas em rostos, fantasias, música e muita alegria.

“Mais do que um documentário visual, este livro nasceu como uma passagem afetiva. É uma tentativa de escutar com o olhar. Cheguei com os olhos de fotógrafa, mas foi a alma quem primeiro foi tocada. E foi nesse gesto que compreendi que a morte, para o povo mexicano, não sela os ciclos. Ela os renova. É ponte. É laço. É uma continuidade invisível que atravessa gerações. É expressão viva da ancestralidade: presente, colorida, cotidiana”, escreve Sinísia.

De origem indígena, a celebração mexicana do Día de los Muertos não é um tributo ao fim, mas uma consagração da permanência. Uma comemoração em honra aos mortos, que autoriza as almas a visitarem os parentes vivos. “Elas descem pelos caminhos bordados de flores, guiadas pelo aroma dos alimentos que um dia os nutriram. Reconhecem-se nos retratos antigos, nos cantos murmurados ao entardecer, nos gestos que sobreviveram ao tempo. Não vêm como ausência, vêm como presença silenciosa, como memória encarnada no cotidiano dos vivos”, explica a fotógrafa baiana.

Foi numa conversa com o filósofo Marcos Bulcão que essa compreensão encontrou palavras. As palavras do filósofo abriram caminhos, numa complementação perfeita, profunda e poética na narrativa das imagens da artista Sinísia Coni, resultando nesse diálogo entre o olhar e a palavra, entre a imagem e o pensamento.

As fotografias e textos são da autora, frases e textos reflexivos do filósofo, psicanalista e escritor Marcos Bulcão e a apresentação do livro é assinada pelo professor Tiago de Oliveira Pinto, chefe da Cátedra Unesco de Estudos Transculturais da Universidade de Weimar.

“Há uma crença no México: só morremos de verdade quando nosso nome é pronunciado pela última vez. Enquanto alguém se lembrar de nós, mesmo que seja só uma história, um sorriso, um hábito herdado, algo de nós ainda estará vivo. Essa ideia está no coração do Día de los Muertos. Nas casas, escolas e cemitérios, constroem-se oferendas com imagens dos entes queridos, suas comidas favoritas, flores de cempasúchil e velas acesas. A fotografia, aqui, não é apenas símbolo: é um portal”, escreve o filósofo Marcos Bulcão, em um dos trechos registrados no livro.

O livro El Día de Los Muertos conta com o patrocínio das empresas Coesa, Sanea, Kontik, do Palacete Tira Chapéu, da Vinícola Uvva, da Embaixada do México e da Unesco.

Sobre a autora

O amor de Sinísia Coni pela fotografia vem da infância. Ainda menina, se encantou com a paixão de seu pai, o médico Antônio Caldas Coni, pela fotografia. Traz na lembrança, ele fotografando com uma máquina Rolleiflex e as fugidas para o gabinete, onde adorava ver as fotos dele na época de estudante na Europa e as que registrava em família, da qual ela era a terceira dos seis filhos do casal.

O meu interesse pela fotografia era tão forte, que recebi de presente de 15 anos dos meus pais, um laboratório de fotografia, onde revelava e ampliava as minhas fotos. Comecei fotografando o meu bairro, amigos, depois meus filhos e as viagens.

“Hoje a fotografia tomou conta de mim e vice-versa. Só vim me interessar profissionalmente há pouco mais de 16 anos, quando comecei a utilizar bons equipamentos, criando uma vasta fototeca. A partir daí, comecei a fazer minhas exposições, lançando no momento meu primeiro livro e já elaborando o segundo que terá como tema, a Bahia”.

Formada em Ciências Humanas no curso de História da UFBA, a fotógrafa baiana desenvolve um trabalho documental, realizado por meio da sensibilidade e escuta. Considerada street photographer, o seu trabalho já foi mostrado em exposições na França, Portugal, Noruega e Índia. No Brasil, desde 2012, ela vem realizando mostras em Salvador e em diversas cidades, como São Paulo, Distrito Federal, Itabuna e Cachoeira.

Serviço
Lançamento: Livro Día De Los Muertos
Autora: Sinísia Coni
Quando: 12 de Maio
Onde: Palacete Tira Chapéu – Rua Tira Chapéu, Nº 1, esquina com Rua Chile
Hora: 17 às 21:00

Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Sinísia Coni

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