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O Brasil voltou a comer com dignidade: uma esperança reconstruída

Por Marta Rodrigues (PT), vereadora de Salvador e presidenta das Comissões de Direitos Humanos e de Reparação da Câmara Municipal

O Brasil voltou a comer com dignidade. Depois de anos em que milhões foram empurrados para a míngua — com políticas desmanteladas, cortes de programas essenciais e abandono da segurança alimentar — hoje podemos afirmar que este país reconquistou algo que muitos achavam perdido: sair novamente do Mapa da Fome. O recente relatório do Ministério do Desenvolvimento Social, confirmando que o percentual de pessoas em risco de subnutrição caiu para menos de 2,5% entre 2022 e 2024 (sendo que, isoladamente em 2024, esse índice chegou a 1,7%), aponta que não se trata apenas de dados, mas de vidas com dignidade restituídas — graças a políticas restauradas, ao diálogo entre instâncias públicas e, sobretudo, ao trabalho incansável dos movimentos sociais.

Durante o governo Bolsonaro testemunhamos o retrocesso cruel: programas de transferência de renda fragilizados, desmonte de políticas de agricultura familiar, da alimentação escolar, do apoio direto às famílias vulneráveis. Em Salvador, percebi bem de perto os efeitos — creches com merenda insuficiente, comunidades quilombolas sem garantias mínimas de alimentação, famílias que acordavam sem saber se teriam o que colocar na mesa no café, no almoço ou no jantar. Corriam-se atrás de remendos emergenciais, mas faltava escala, estrutura e vontade política.

Com o governo Lula, retornaram o Bolsa Família fortalecido, o Brasil Sem Fome por decreto, o Programa de Aquisição de Alimentos, a alimentação escolar, as cozinhas comunitárias, o SUAS trabalhando integrado, assistência social real. Essas são políticas que fazem diferença concreta. A própria publicação oficial “A trajetória da saída do Brasil do Mapa da Fome” destaca mais de oitenta ações integradas que contribuíram para esse resultado, restabelecendo direitos.

Aqui em Salvador, essa conquista tem reflexos positivos, mas ainda exige ação local robusta. Dados recentes da prefeitura indicam que mais de 170 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza e cerca de 36 mil em situação de pobreza, números que representam um retrato incompleto, considerando aqueles que não estão cadastrados ou que acessam benefícios de forma limitada.

A saída do Brasil do Mapa da Fome é uma vitória nacional, mas para que Salvador realmente sinta os impactos, é essencial que a prefeitura fortaleça políticas públicas de combate à fome, garanta merenda escolar de qualidade, apoie de forma contínua a agricultura familiar, mantenha as cozinhas comunitárias funcionando e promova campanhas de inclusão alimentar. A mobilização social também permanece essencial: iniciativas como o Banquetaço, já realizado na cidade, mostram que o engajamento da população é um instrumento potente de denúncia, solidariedade e pressão para que os direitos sejam efetivamente garantidos. A participação da sociedade civil, junto aos órgãos públicos, é o que torna possível transformar a saída do país do Mapa da Fome em melhoria concreta na vida das famílias soteropolitanas.

Celebrar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, então, é celebrar não só conquistas federais, mas reafirmar responsabilidades locais. Em Salvador, precisamos garantir que os programas federais e estaduais cheguem com qualidade, que haja merenda escolar decente, que o PAA e a agricultura familiar sejam efetivamente apoiados, que cozinhas comunitárias funcionem continuamente. Precisamos, sobretudo, atualizar registros de insegurança alimentar da cidade e manter diálogo constante com comunidades pobres, quilombolas e periféricas.

Foi sob Lula que esse caminho foi retomado — que o Brasil reaprendeu o valor do alimento na mesa, do programa social como política de Estado. Mas precisamos seguir vigilantes: garantir que esses programas sejam protegidos, que não haja retrocessos, que a fome volte a ser coisa do passado para todos. A vida com dignidade exige políticas públicas firmes, participação social ativa, fiscalização e recursos assegurados.

O Brasil voltou a comer com dignidade. Que Salvador seja parte desse novo capítulo: que cada família tenha garantia do que comer; que nenhuma criança volte a dormir com fome; que nenhum bairro fique excluído deste direito humano fundamental. Porque, como sempre digo, “combater a fome é combater todas as desigualdades sociais”.

Foto: Ascom ver marta Rodrigues – PT

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