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Cannabis é testada para reduzir uso de remédio em cães

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), investigaram o uso de Cannabis como complemento ao tratamento convencional de cães com dermatite atópica.

Durante o estudo, os animais receberam um produto oral rico em canabidiol (CBD) associado a um medicamento convencional. Posteriormente, a dose desse medicamento foi reduzida pela metade.

Após 30 dias com a dose reduzida, os pesquisadores não identificaram piora da coceira. A intensidade do sintoma também permaneceu abaixo dos níveis registrados no início da pesquisa.

Publicado na revista científica Frontiers in Allergy, o estudo acompanhou 16 cães. Os resultados, porém, ainda precisam ser confirmados por novas pesquisas para determinar se a Cannabis pode ajudar a controlar a coceira e permitir a redução de medicamentos convencionais usados no tratamento da dermatite atópica em cães.

Por que a coceira é um desafio no tratamento da dermatite?

A dermatite atópica canina apresenta muitas semelhanças com a versão humana. É uma doença que provoca inflamações persistentes e está associada a alterações na barreira de proteção da pele e no sistema de defesa do organismo.

Os animais podem apresentar coceira intensa, vermelhidão e lesões. Como a doença exige cuidados contínuos, muitos cães precisam de tratamento durante toda a vida.

Um dos medicamentos utilizados é o oclacitinibe, que age sobre processos do organismo envolvidos na inflamação e na coceira.

Embora seja eficaz para alguns animais, o medicamento nem sempre controla os sintomas. Além disso, os pesquisadores destacam que a necessidade de ajustar as doses pode aumentar os custos do tratamento.

Diante desse cenário, os pesquisadores decidiram investigar se a Cannabis poderia complementar o tratamento e ajudar a manter o controle da doença mesmo com a redução da dose do oclacitinibe.

Como os pesquisadores testaram a Cannabis nos cães

Cannabis para a dermatite atópica em cães

O estudo acompanhou cães que já utilizavam oclacitinibe, mas continuavam apresentando sintomas.

Na primeira etapa, os animais receberam o medicamento associado a um placebo durante 30 dias. Depois, o placebo foi substituído por um produto à base de Cannabis, mantendo-se a dose habitual do medicamento.

O produto utilizado continha CBD e pequenas quantidades de outros compostos da planta, incluindo THC.

Após mais 30 dias, os pesquisadores reduziram a dose de oclacitinibe pela metade, enquanto os cães continuaram recebendo Cannabis.

Metade da dose do medicamento, sem piora da coceira

Mesmo após a redução de 50% na dose do oclacitinibe, os pesquisadores não registraram piora estatisticamente significativa da coceira durante os 30 dias seguintes.

A intensidade média da coceira, em uma escala de zero a cinco, passou de 3,44 no início da pesquisa para 2,31 após a introdução da Cannabis. Depois da redução da dose do medicamento convencional, ficou em 2,42.

A redução da coceira em relação ao início da pesquisa foi relevante. Entretanto, a comparação entre as fases com placebo e Cannabis não mostrou uma diferença estatisticamente significativa. Portanto, os dados não permitem afirmar que a melhora observada tenha sido provocada somente pela Cannabis.

Outro resultado chamou a atenção: após o encerramento do acompanhamento, a equipe suspendeu a Cannabis e manteve a dose reduzida de oclacitinibe.

Uma semana depois, nove cães voltaram a apresentar coceira, enquanto cinco permaneceram estáveis.

Em relação às lesões de pele, o estudo não identificou melhoras relevantes no conjunto dos animais.

Por que ainda não é possível atribuir os resultados à Cannabis?

Apesar dos resultados promissores, a pesquisa apresenta limitações. Todos os cães passaram pelas mesmas etapas de tratamento, na mesma ordem. Não houve um grupo separado que continuasse recebendo apenas o medicamento convencional.

Por isso, não é possível afirmar que a Cannabis sozinha tenha permitido reduzir o oclacitinibe sem prejudicar o controle da doença.

Durante o tratamento, também foram relatados efeitos adversos leves e passageiros, como sonolência, vômitos e fezes mais moles. Essas reações também foram registradas durante a fase com placebo.

Estudos maiores precisam confirmar os resultados

Os pesquisadores consideram que os medicamentos à base de Cannabis merecem novas investigações como parte do tratamento da dermatite atópica em cães.

Para confirmar seus possíveis benefícios, serão necessários estudos maiores, com grupos de comparação e acompanhamento mais prolongado.

Onde buscar informações sobre Cannabis na veterinária?

No Brasil, a Anvisa autoriza médicos-veterinários a prescreverem medicamentos à base de Cannabis para animais.

A possibilidade de prescrição veterinária desses medicamentos tem despertado o interesse de profissionais e tutores em conhecer os possíveis benefícios dos derivados da planta.

Para quem deseja saber mais sobre o assunto, o e-book Cannabis na Medicina Veterinária oferece informações atualizadas e histórias de pacientes.

Fonte: Cannabis & Saúde
Foto: Dog Stock photos by Vecteezy

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