Bitcoin mostra resiliência perto dos US$ 78 mil mesmo com petróleo em alta, dólar forte e maior cautela global após ataques dos EUA ao Irã
O Bitcoin opera perto dos US$ 78.500 na manhã desta segunda-feira (31), em leve alta nas últimas 24 horas, mesmo em um ambiente de maior aversão a risco após novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã elevarem o preço do petróleo e pressionarem bolsas globais.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 0,6%, cotado a US$ 78.507 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 409.827, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 0,4%, a US$ 2.450. Já o XRP tem queda de 1,4%, enquanto a Solana recua 1,6% e a BNB cai 1,1%.
A resistência do BTC chama atenção porque o mercado tradicional começou a semana sob cautela. O Brent subiu para a região dos US$ 90 por barril após forças americanas atingirem alvos iranianos, reacendendo temores de inflação de energia e de novas tensões no Oriente Médio. Bolsas europeias e futuros dos EUA recuavam, enquanto os juros dos Treasuries seguiam sensíveis às apostas de alta de juros pelo Federal Reserve.
Apesar do ruído geopolítico, o Bitcoin segue a caminho de fechar agosto com alta de mais de 24%, seu melhor desempenho para o mês desde 2017 e o maior ganho mensal desde novembro de 2024. O avanço contrasta com a realização em parte das altcoins e reforça a percepção de que, neste momento, o fluxo do mercado está mais concentrado no BTC.
A semana começa também sob efeito do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole. Na sexta-feira, o presidente do Fed reforçou preocupação com a inflação e elevou as apostas de uma nova alta de juros em setembro. O dólar chegou a operar perto da máxima em duas semanas após a fala de Warsh, enquanto a probabilidade de alta de juros em setembro subiu para cerca de 58%.
Esse pano de fundo limita uma alta mais forte das criptomoedas. Juros maiores aumentam o retorno dos títulos americanos, fortalecem o dólar e costumam reduzir o apetite por ativos de risco, como ações de tecnologia e criptoativos. Ainda assim, o Bitcoin mostra resiliência perto dos US$ 78 mil, depois de ter testado a faixa dos US$ 81 mil na semana passada e recuado após o tom mais duro do Fed.
Dólar forte e iene pressionado entram no radar
Outro ponto acompanhado pelo mercado é o iene. A moeda japonesa voltou a rondar a região de 160 por dólar, nível considerado sensível porque pode aumentar a chance de intervenção das autoridades japonesas. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os movimentos recentes do iene estavam “bem contidos” e não justificavam uma ação coordenada como a realizada anteriormente por Estados Unidos e Japão.
A importância disso para o Bitcoin é indireta, mas relevante. O iene é usado há anos como moeda de financiamento para investimentos em ativos globais, incluindo ações dos EUA e Treasuries. Movimentos desordenados na moeda podem provocar ajustes em posições alavancadas, pressionar os juros americanos e apertar as condições financeiras. Esse tipo de choque costuma afetar também o mercado cripto.
O fechamento do mês será importante também para os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Depois de uma sequência recente de entradas, o mercado quer saber se o fluxo resistiu à mudança nas expectativas de juros após Jackson Hole ou se a fala de Warsh encerrou a rodada de captação. Na sexta-feira, reportagens apontaram que ETFs de Bitcoin tiveram saída líquida de cerca de US$ 202 milhões, interrompendo uma sequência de entradas.
Para o curto prazo, o Bitcoin segue entre duas forças. De um lado, a alta mensal forte, a resiliência ao choque geopolítico e a dominância sobre as altcoins sustentam o preço perto dos US$ 78 mil. De outro, petróleo acima de US$ 90, dólar forte, iene pressionado e maior chance de alta de juros nos EUA reduzem o espaço para uma retomada rápida rumo aos US$ 80 mil.
Se o BTC conseguir se manter acima da faixa de US$ 77 mil a US$ 78 mil, o mercado pode voltar a mirar a resistência dos US$ 80 mil. Uma perda mais clara desse nível, porém, abriria espaço para realização após o melhor mês do Bitcoin em quase dois anos.
Fonte: Portal do Bitcoin
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