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CBG aumenta potência muscular em até 87% em estudo da UFSC

Estudo da UFSC investiga os efeitos do canabigerol (CBG) na força e no desempenho muscular de animais com perda muscular.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificou que o canabigerol (CBG), um dos compostos presentes na Cannabis, melhorou a força e o desempenho muscular de animais submetidos a um modelo que reproduz condições de perda muscular.

Quando associado a exercícios de fortalecimento muscular, o CBG aumentou a potência muscular em até 87% em comparação com os animais que apenas se exercitaram.

Os resultados foram publicados na revista científica ACS Pharmacology & Translational Science e apontam novas possibilidades de pesquisa sobre os efeitos dos canabinoides no funcionamento dos músculos.

Como os pesquisadores avaliaram os efeitos do CBG nos músculos

O estudo foi conduzido por cientistas do Laboratório de Biologia do Exercício Físico (LABIOEX) da UFSC. Os pesquisadores utilizaram camundongos que receberam dexametasona durante 12 dias.

A dexametasona é um corticosteroide, tipo de medicamento utilizado para controlar inflamações de diferentes doenças. Em determinadas condições, seu uso pode provocar perda muscular.

Depois dessa etapa, os animais foram divididos em quatro grupos:

  • • Um grupo permaneceu sedentário e não recebeu CBG;
  • • Outro grupo permaneceu sedentário e recebeu CBG;
  • • Um grupo realizou exercícios físicos e não recebeu CBG;
  • • Outro grupo realizou exercícios físicos e recebeu CBG.

Durante quatro semanas, os animais que fizeram exercícios físicos subiram uma escada carregando pesos presos ao corpo, em uma atividade que simulava exercícios de fortalecimento muscular.

Os pesquisadores avaliaram a força, a potência, a resistência à fadiga e as características das fibras musculares. Também analisaram substâncias presentes no sangue relacionadas ao funcionamento do organismo durante o esforço físico.

CBG associado aos exercícios aumentou a potência muscular em até 87%

Na primeira semana, os animais que receberam CBG associado aos exercícios apresentaram potência muscular aproximadamente 55% maior do que os animais que apenas se exercitaram. Na quarta semana, a diferença chegou a 87%.

A potência muscular representa a capacidade de produzir força rapidamente durante um movimento. Ela é importante para atividades do dia a dia, como levantar de uma cadeira ou subir escadas.

Outro resultado foi o aumento de cerca de 10% na força máxima de preensão dos animais tratados com CBG, em comparação aos que não receberam o canabinoide. Essa medida representa a força exercida ao agarrar ou segurar algo. No experimento, foi registrada por um equipamento que mede a força das patas dianteiras.

Já os exercícios melhoraram principalmente a resistência à fadiga, permitindo que os músculos mantivessem o esforço por mais tempo.

Melhora muscular ocorreu sem aumento do tamanho dos músculos

De acordo com os pesquisadores, o aumento do desempenho muscular não foi acompanhado de um crescimento expressivo dos músculos. Isso sugere que os efeitos do CBG podem estar mais relacionados ao funcionamento dos músculos do que ao aumento do seu tamanho.

Os cientistas também analisaram a concentração de lactato no sangue, uma substância produzida pelo organismo durante o uso de energia.

Entre os animais sedentários, a concentração de lactato após o exercício foi cerca de 48% menor naqueles que receberam CBG, em comparação com os que não receberam o canabinoide.

Esse resultado indica que o canabigerol pode influenciar mecanismos relacionados à forma como os músculos utilizam energia.

Uma das hipóteses dos autores para explicar esses efeitos envolve as proteínas PPAR, que ajudam a controlar processos metabólicos, incluindo a utilização de gorduras como fonte de energia.

Resultados abrem caminho para pesquisas sobre perda muscular

Os resultados observados pelos autores podem indicar caminhos para novas investigações sobre condições que provocam perda de força e de massa muscular.

Uma delas é a sarcopenia, frequentemente associada ao envelhecimento. Essa condição pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida.

Outra possibilidade de pesquisa é a atrofia muscular relacionada ao uso prolongado de alguns medicamentos.

No entanto, apesar dos resultados promissores, é importante destacar que a pesquisa foi realizada em animais. Portanto, os resultados não comprovam que os mesmos benefícios ocorrerão em humanos.

Novas análises serão necessárias para avaliar se os resultados também podem ocorrer em pessoas.

Fonte: Cannabis & Saúde
Foto: Pexels / Jess Loiterton

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