Atuação do Centro de Arte e Meio Ambiente e do Fórum Estadual Lixo e Cidadania coloca a valorização dos catadores no centro das discussões sobre gestão de resíduos sólidos e economia circular.
A sustentabilidade na Bahia envolve desafios que ultrapassam a preservação ambiental. A gestão adequada dos resíduos sólidos, a ampliação da coleta seletiva e a inclusão socioeconômica dos trabalhadores da reciclagem estão entre os pontos fundamentais para a construção de cidades ambientalmente responsáveis.
Em Salvador, o Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) e o Fórum Estadual Lixo e Cidadania da Bahia (FLC-BA) participam de iniciativas que buscam fortalecer a atuação das cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, além de ampliar o diálogo com os poderes públicos sobre políticas de gerenciamento de resíduos.
O CAMA é uma organização da sociedade civil que desenvolve projetos socioambientais, educação ambiental e ações de fortalecimento de grupos historicamente vulnerabilizados. Sua atuação inclui a articulação de trabalhadores autônomos e cooperativados da reciclagem.
O Fórum Estadual Lixo e Cidadania, por sua vez, reúne organizações e cooperativas que defendem a valorização profissional dos catadores e a implementação de políticas públicas voltadas à coleta seletiva e à destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
Gestão de resíduos exige participação dos trabalhadores
Um dos principais desafios da política de sustentabilidade é garantir que os materiais recicláveis sejam efetivamente encaminhados para reaproveitamento.
Embora empresas, órgãos públicos e consumidores tenham responsabilidades nesse processo, os catadores desempenham uma função estratégica na recuperação de materiais e na redução do volume de resíduos descartados.
Em julho de 2025, 13 cooperativas de Salvador, com apoio do CAMA, do Fórum Estadual Lixo e Cidadania e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis na Bahia, encaminharam à Prefeitura uma reivindicação para contratação remunerada dos serviços de coleta, triagem e destinação adequada dos resíduos.
A proposta busca estabelecer mecanismos de participação formal das cooperativas na gestão municipal, reconhecendo o trabalho desenvolvido pelos profissionais da reciclagem.
O tema também foi discutido no II Fórum de Coleta Seletiva Solidária, realizado em novembro de 2025 na Câmara Municipal de Salvador. Entre os encaminhamentos apresentados estava a criação de um grupo de trabalho para formular uma proposta de contratação dos serviços prestados pelas cooperativas.
Articulação estadual e fortalecimento das cooperativas
A discussão sobre gestão de resíduos também alcança o governo estadual.
Em maio de 2024, representantes da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), do CAMA, do Movimento Nacional dos Catadores e do Fórum Estadual Lixo e Cidadania participaram de uma reunião sobre Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
O encontro abordou a necessidade de melhorar a fiscalização das obrigações ambientais de empresas e indústrias, além de ampliar a conexão entre os empreendimentos geradores de resíduos e as cooperativas de catadores.
Em setembro de 2025, o CAMA também participou de reunião do Comitê de Inclusão Socioeconômica e Produtiva dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Bahia, realizada em Salvador, com representantes do governo estadual, associações e cooperativas.
A articulação institucional é considerada importante para transformar as diretrizes da legislação ambiental em oportunidades concretas de trabalho e renda.
Grandes eventos como oportunidade de sustentabilidade
A experiência das organizações também aparece na realização de ações de coleta seletiva durante festas populares.
No Carnaval de Salvador de 2026, uma iniciativa coordenada pelo CAMA, em parceria com associações e cooperativas, destinou mais de 105 toneladas de materiais recicláveis para reaproveitamento.
O trabalho demonstra o potencial da coleta seletiva em eventos de grande porte e a importância de integrar a gestão ambiental à geração de renda.
Além da retirada dos materiais, iniciativas desse tipo podem contribuir para a redução do descarte inadequado e para o fortalecimento da economia circular.
Educação ambiental e justiça climática
A sustentabilidade também depende da formação da sociedade e da participação das comunidades.
O CAMA e o Fórum Estadual Lixo e Cidadania participaram, em setembro de 2025, de discussões com representantes da Secretaria da Educação da Bahia e de outros órgãos estaduais sobre propostas de educação ambiental nas escolas, escolarização de catadores e implantação de práticas de coleta seletiva.
Em março de 2026, o CAMA lançou o projeto Mulheres Negras pela Justiça Climática, ampliando o debate sobre desigualdade ambiental e participação social.
As iniciativas reforçam a necessidade de integrar políticas ambientais, educação, trabalho e inclusão social.
Políticas permanentes são necessárias
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela Lei nº 12.305/2010, prevê diretrizes para reduzir a geração de resíduos, ampliar a reciclagem e promover a destinação ambientalmente adequada dos materiais descartados.
Na prática, a efetividade dessas medidas depende de planejamento, fiscalização, infraestrutura e participação dos trabalhadores do setor.
Na Bahia, o fortalecimento das cooperativas, a contratação de serviços de coleta seletiva e a ampliação da educação ambiental permanecem entre os pontos relevantes para a consolidação de uma política de sustentabilidade.
A atuação do CAMA e do Fórum Estadual Lixo e Cidadania demonstra a importância da sociedade civil na construção desse processo e na defesa de um modelo de desenvolvimento que associe preservação ambiental, geração de renda e justiça social.
Foto: Ascom Ong CAMA
