Em meio à circulação acelerada de informações nas redes sociais, escolas baianas ampliam iniciativas para desenvolver o pensamento crítico e ensinar jovens a reconhecer conteúdos manipulados.
A facilidade de produzir e compartilhar informações pela internet transformou a maneira como crianças e adolescentes consomem notícias. Ao mesmo tempo em que as plataformas digitais ampliaram o acesso ao conhecimento, também aumentaram os desafios relacionados à identificação de informações falsas, imagens manipuladas e conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA).
Nesse cenário, a educação midiática ganha importância como ferramenta de formação cidadã. A proposta é ensinar estudantes não apenas a utilizar tecnologias, mas também a analisar criticamente aquilo que encontram nas redes sociais, verificar a origem das informações e compreender como os conteúdos circulam no ambiente digital.
O tema está em evidência durante a 4ª Semana Brasileira de Educação Midiática, realizada entre 4 e 10 de novembro de 2026, com o tema “Educação Midiática: integridade da informação para a formação cidadã”. A mobilização reúne instituições públicas, universidades, educadores e organizações da sociedade civil em atividades voltadas ao fortalecimento do pensamento crítico e ao uso responsável das tecnologias.
Bahia desenvolve iniciativas nas escolas
Na Bahia, a educação midiática já integra iniciativas da rede estadual de ensino. Uma delas é o projeto Agência de Notícias na Escola, que estimula estudantes e professores a produzir conteúdos jornalísticos sobre a realidade das comunidades onde vivem.
A proposta aproxima os jovens das práticas de apuração, observação, produção e divulgação de informações, permitindo que compreendam melhor o funcionamento da comunicação e a responsabilidade envolvida na publicação de notícias.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria da Educação da Bahia, o projeto foi criado em 2023 e teve expansão para a rede estadual. Em 2025, a iniciativa passou a integrar uma estratégia mais ampla de educação digital e midiática, alcançando mais de 700 escolas, conforme a previsão divulgada naquele ano.
Outro movimento ocorreu em julho de 2026, quando professores da rede estadual participaram de uma formação internacional sobre desinformação e educação midiática, realizada no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador.
A formação envolveu 400 professores das áreas de Geografia, História, Filosofia e Sociologia, com atividades sobre desinformação, algoritmos, inteligência artificial e estratégias pedagógicas para desenvolver o pensamento crítico entre estudantes.
Inteligência artificial amplia os desafios
O avanço das ferramentas de inteligência artificial tornou ainda mais complexa a tarefa de identificar conteúdos falsos na internet. Atualmente, imagens, áudios e vídeos podem ser produzidos ou modificados digitalmente com elevado grau de realismo.
Para os estudantes, isso significa que reconhecer uma informação confiável exige mais do que observar a aparência de uma publicação ou a quantidade de compartilhamentos.
É necessário verificar quem publicou o conteúdo, procurar a fonte original, comparar informações em veículos jornalísticos confiáveis e observar se existem evidências que sustentem aquilo que está sendo divulgado.
A formação também precisa abordar os impactos dos algoritmos, que influenciam quais conteúdos aparecem nas plataformas e podem favorecer a circulação de informações semelhantes às preferências de cada usuário.
Educação midiática vai além do combate às fake news
A educação midiática não se limita à identificação de notícias falsas. Ela também envolve o respeito à privacidade, a proteção de dados pessoais, a prevenção de golpes digitais, o combate ao discurso de ódio e a responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos.
A formação de estudantes capazes de interpretar informações e reconhecer manipulações representa um desafio que envolve escolas, famílias, universidades, veículos de comunicação e poder público.
Em um ambiente no qual qualquer pessoa pode produzir e distribuir conteúdos para milhares de usuários, desenvolver a capacidade de questionar, investigar e verificar informações tornou-se parte fundamental da formação educacional.
Mais do que ensinar a utilizar ferramentas digitais, a educação midiática busca preparar uma geração capaz de participar do ambiente conectado com autonomia, responsabilidade e consciência crítica.
Foto: Pexels / Ron Lach
